Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2020

“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O famoso verso do poeta Vinicius de Moraes é capaz de sintetizar muito bem o pensamento hegemônico vigente há alguns séculos. A Idade Contemporânea trouxe várias mudanças e inovações, dentre elas a construção e o fortalecimento de padrões estéticos, em centros urbanos, até então adotados e compreendidos, em sua maioria pelas ,nobrezas aristocráticas. A consolidação dessa concepção pode trazer inúmeros malefícios à sociedade, tornando necessário um debate acerca de seus aspectos.

Sendo assim, é preciso pontuar, de início, que, segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. Dessa forma, é possível deduzir que, com frequência, os grupos mais prejudicados sejam os menos favorecidos financeiramente. Os padrões de beleza, idealizados pela classe alta, não são de fácil acesso às classes menos privilegiadas, as quais, normalmente, sentem-se lesadas por não reproduzirem um arquétipo de estética. Com isso, na busca pela constituição física “perfeita”, surgem consequências dessa atitude como o prejuízo à saúde e o comprometimento do comportamento individual.

Outrossim, tem-se a busca pelo corpo perfeito consolidada nos valores culturais brasileiros. Reconhecido mundialmente por sua beleza feminina, o Brasil é palco de constantes cobranças para o alcance dos padrões estabelecidos, como foi observado em pesquisa realizada pela marca de cosméticos Dove, que apontou o país como acima da média global na porcentagem de mulheres que se sentem pressionadas a atingir o corpo ideal. Além disso, é válido salientar que a busca por um padrão de beleza frequentemente leva muitos indivíduos a processos que causam danos à sua saúde. De fato, muitas pessoas, sobretudo mulheres e adolescentes, conforme pesquisa do G1, desenvolvem problemas como anorexia e bulimia ao buscarem uma boa imagem corporal e optarem por uma dieta excessiva. Ademais, muitos homens também optam por medidas inadequadas na procura por um “corpo escultural” - termo inspirado nas esculturas gregas-, levando vários deles ao uso de anabolizantes. Desse modo, o conceito da beleza ideal pode colocar em risco o próprio bem-estar.       Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.