Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 29/07/2020
Os cuidados necessários para manter-se o equilíbrio da saúde mental é um tema amplamente discutido no contexto contemporâneo. Apesar dos notáveis avanços no tratamento de enfermidades psicossociais, há a permanência de obstáculos que limitam o exercício pleno do autocuidado, os quais geram consequências tanto para a saúde física individual como para a psicológica.
Em primeira análise, é válido analisar os fatores que ameaçam a prevalência da saúde mental no mundo contemporâneo. Dentre eles, encontra-se a popularização de estereótipos ligados a diversos aspectos do cotidiano individual, tais como aparência física e estilo de vida. O crescimento do uso das redes sociais suscitou uma necessidade por parte dos usuários de projetar uma imagem quase perfeita dentro desses veículos de comunicação. Nesse sentido, os padrões criados nesses meios priorizam as aparências em detrimento do verdadeiro autocuidado, e o hábito de suprimir os próprios conflitos em prol de uma aparência positiva pode danificar severamente o bem-estar físico e psicológico do usuário. Ademais, a universalização do atendimento psiquiátrico, apesar de defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), permanece como uma realidade distante em muitos países. No Brasil, por exemplo, o Ministério da Saúde abordou o atendimento à saúde mental como insuficiente no país, tanto no âmbito público quanto no privado. Tal cenário configura uma situação problemática alarmante, posto que dados da OMS classificaram o Brasil como o país cuja população mais enfrenta problemas com ansiedade.
Nesse contexto, a fragilização do bem-estar mental somada à falta de contato com atendimento profissional pode desencadear a busca por meios “rápidos” de satisfação emocional, tais como o consumo de bebidas alcoólicas, drogas ilícitas ou mesmo de alimentos específicos, o que estimula o surgimento de vícios responsáveis por agravar a saúde física e psicológica do indivíduo. Além disso, em casos mais extremos, a permanência de um estado crítico de enfermidade mental pode levar ao suicídio. A OMS divulgou que, aproximadamente, um suicídio acontece no mundo a cada 40 segundos, o que corrobora a urgência dessa situação.
Portanto, tornam-se indispensáveis ações efetivas por parte de órgãos públicos direcionados à saúde. A disponibilização de atendimento psiquiátrico em hospitais públicos deve ser priorizada, visto a dificuldade da população economicamente desfavorecida no financiamento de um tratamento qualificado. Por fim, é essencial que as fontes midiáticas de comunicação exponham discussões e informações fundamentadas acerca do tema em questão, por meio de campanhas ou da criação de programas específicos, com vistas a estimular o autocuidado psicológico e a procura por ajuda profissional. Somente assim será realmente valorizada a saúde mental no mundo contemporâneo.