Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2020

De acordo com o teórico britânico David Harvey, o encolhimento do mundo, fomentado pela globalização, gerou uma democratização da informação, sobretudo nos meios de comunicação. Entretanto, na contemporaneidade, a disseminação de padrões estéticos de beleza e de vida, somado a uma falta de criticismo populacional, acarretam em alarmantes impasses com efeitos perniciosos. É possível afirmar que não só uma ambição de posse como também uma subordinação da saúde à aparência fomentam o status quo do século XXI: um mundo de valorização material em detrimento da qualidade de vida.

Inicialmente, vale dizer que a constante evolução dos produtos traz consigo uma mudança no comportamento social, o qual se vê na necessidade de adquiri-los. Conforme o sociólogo francês Émille Durkheim, os fatos sociais são características que se sobrepões às ações individuais e, analogamente a isso, o poder de compra se tornou um deles. A partir desse ponto de vista, a aquisição de bens é a característica marcante da sociedade moderna, a qual sacrifica todo o seu tempo — e a saúde — a uma simples pretensão de compra.

Ademais, a difusão do paradigma da vida saudável e atlética presente nas ferramentas tecnológicas — sobretudo nas redes sociais — é, e deve ser, um molde a ser seguido. Todavia, a carência do bom senso de se atingir o resultado desejado coloca em risco não apenas o estado mental individual, mas também o próprio corpo e, em casos extremos, a vida. A priori, a presença de padrões de beleza não é uma impasse, mas sim em como alcançá-los perante a uma população ignorante na era da informação.

Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não só da primazia  à sáude em relação a objetivos estéticos, como também técnicas de gerenciamento de tempo de rotina. Espera-se, com tudo isso, um consenso efetivo entre saúde, consumo e , principalmente, autocuidado.