Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 29/07/2020
Após o fim da Guerra Fria, em 1990, e o estabelecimento do capitalismo em grande parte do mundo, vivencia-se a era globalizada, na qual o acúmulo de informações e a precariedade de tempo transformam o indivíduo em mero consumidor de produto e tecnologia, afastando-o da cultura do autocuidado e da saúde mental. Com efeito, nota-se crescente número de pessoas imersas na cultura do cancelamento tecnológico e emersas na cultura do cuidado pessoal. Assim, cabe a análise acerca de causas, consequências e possível solução da problemática.
Mormente, é imperativo pontuar os fatores que possibilitaram a emersão dos indivíduos na cultura do autocuidado. Jon Krakauer escritor da obra ‘’ Na natureza selvagem ‘’ afirma que desde a tenra idade indivíduos são obrigados a possuir responsabilidades e seguir vidas regradas e apáticas, fato que corrobora com a privação de vivenciar momentos e possuir hábitos que trarão bem estar. Tal perspectiva, alinhada a conjuntura de que durante a vida responsabilidades são como um gráfico crescente, já na idade adulta, tais indivíduos se tornam despreparados emocionalmente e frustrados mentalmente. Desse modo, a precariedade de tempo que o mundo globalizado proporciona, juntamente com as obrigações desde cedo impostas na vida, transformam os indivíduos em desconhecedores da importância de adquirir o autocuidado como hábito que visa o próprio bem estar.
Outrossim, nessa lógica, vale ressaltar, ainda, a importância do documentário ‘’ Minimalismo ‘’ ,laboração estadunidense, este que debate sobre o que realmente deve ser considerado como importante na vida humana, condenando o consumismo e a tecnologia avançada. Tal obra prega os efeitos positivos gerados ao corpo humano, quando se tem uma vida com mais propósitos que gerem bem estar como estar em família e buscar um emprego no qual exista maior satisfação. Dessa maneira, a cultura do cancelamento tecnológico, expressão utilizada para simbolizar a repercussão massificada de ataques virtuais, dá espaço para a cultura do autocuidado e o bem estar pessoal.
Depreende-se, portanto, que o acúmulo de responsabilidades sem a preocupação com a saúde mental é prejudicial ao indivíduo. Para tanto, faz-se necessário que a Mídia como grande meio de comunicação, divulgue campanhas que visem à conscientização populacional sobre a importância de se ter uma mente sã. Ademais, o Ministério da Educação deve incentivar ambientes escolares a organizarem debates com alunos e pais, sobre a necessidade de crianças viverem como crianças, não possuindo responsabilidades que não condizem com suas idades. Ainda, o Ministério da Saúde deve investir em formas de dar apoio psicológico aqueles indivíduos que são despreparados emocionalmente. Quiçá, assim, a cultura do autocuidado terá a devida importância na sociedade.