Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2020

A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê a todos os cidadãos o direito à saúde. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido, sendo o bem estar psíquico um grande problema na atualidade. Nessa perspectiva, percebe o descaso o social com o autocuidado, bem como, a ineficácia escolar no ensino sobre saúde mental, e esses fatores são contribuintes para o desequilíbrio social.

Em primeira instância, é importante ressaltar que após as Revoluções Industriais do século XVIII as relações sociais mudaram e as intenções começaram a se basear na economia. De acordo com Zygmunt Bauman, as relações contemporâneas são fluídas e superficiais. Nesse viés, torna-se notória a falta de preocupação em si relacionar, saber sobre os medos e anseios do outro, visto que as diversas ocupações diárias que envolvem trabalho, estudos e mais capacitações não possibilita a oportunidade de parar para cuidar da saúde mental, física e interagir com empatia. Por conseguinte, as pessoas se tornam impacientes, ansiosas e doentes.

Além disso, outro fator que influencia nessa questão é a inoperância das escolas. Segundo Jean Piaget, educar é criar mentes capazes de gerir suas emoções e fazer coisas novas, não simplesmente repetir as ações das gerações passadas. Sob essa ótica, algumas instituições escolares falham na prática do ensino, pois continuam com a antiga pedagogia, ensinando conteúdos e exigindo notas altas. Entretanto, para formar seres humanos com capacidade de filtrar os seus estímulos emocionais, enfrentar os seus medos e fracassos é necessária uma preocupação em ensinar sobre a importância em cuidar da mente, do corpo e, por conseguinte, dos outros.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para resolver os problemas relacionadas à saúde mental. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pela qualidade de ensino, incluir na grade curricular disciplinas que tratam sobre gestão emocional, cuidados pessoais, saúde psíquica e corporal. Ademais, a mesma instituição deve fornecer palestras lecionadas por psicólogos, psicopedagogos e médicos, com o objetivo de esclarecer a todos as consequências que a negligência com o cuidado da mente e a falta de socialização acarreta ao tecido social, ressignificando assim o que é viver para as pessoas. Logo, a Carta Magna será cumprida e haverá equilíbrio social.