Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 30/07/2020
No filme “As Vantagens de Ser Invisível”, o protagonista sofre de profunda depressão e não reconhece o melhor de si mesmo, de modo a promover a automutilação e a tentar suicídio. Retratada por meio dessa obra cinematográfica, a saúde mental, incontestavelmente, é posta em xeque na contemporaneidade, diante da falta de autoconhecimento e das consequências do advento da tecnologia. Assim, é urgente reverter tal problemática a fim de cultuar, fortemente, o autocuidado
A princípio, Sócrates enunciou “Conheça a ti mesmo” com o intuito de valorizar o autoconhecimento, aspecto que, para o gregos antigos, é de suma importância para uma vida equilibrada, logo, autêntica e feliz. Sua ausência, sob esse ponto de vista, compromete a saúde mental e, consequentemente, impacta o cotidiano do indivíduo. Ele, como exemplo, não reconhece seus limites mentais, sobrecarregando-se de tarefas no âmbito laboral ou escolar ou, ainda, sente-se insuficiente de se relacionar com outras pessoas, isolando-se socialmente. Tais situações são características de doenças como a depressão e, dessa maneira, é conspícuo os malefícios em não se conhecer.
Ademais, Anthony Giddens, em sua obra “Sociologia”, aborda sobre as relações de trabalho a partir da invenções dos dispositivos eletrônicos como celulares e computadores. Conforme o sociólogo, apesar da conquista das leis trabalhistas, tais dispositivos permitiram que as questões laborais não se restringissem apenas no âmbito de trabalho, mas adentrassem no ambiente de casa dos indivíduos. Esse aspecto da modernidade colabora para que o trabalhador execute tarefas fora de seu expediente, de maneira a desenvolver estresse, por exemplo, e, em sequência, a afetá-lo psicologicamente. Portanto, há um paradoxo em garantir ao indivíduo direitos laborais e em descuidar de sua saúde mental intrínseca aos avanços tecnológicos.
À vista do argumentos abordados, urge impor medidas para preservar o psicológico dos indivíduos em sociedade. Para tanto, o Ministério do Trabalho e o as empresas privadas devem, em conjunto, estabelecer limites no tocante às atividades de trabalho, como suprimir os afazeres de seus empregados em seus lares e não sobrecarregá-los com tarefas exigentes. Com tal medida, o indivíduo não somente distancia-se da possibilidade de desenvolver problemas no que tange à sua mente, como estresse, mas também adquire um bem-estar. Além disso, é viável dedicar tempo para seu autoconhecimento fator que, consoante Sócrates, contribui para um vida autêntica e feliz. Desse modo, há a promoção do autocuidado em meio social, pelo qual se almeja pessoas mais saudavéis e longe da realidade do personagem do filme “As Vantagens de Ser Invisível”.