Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2020

O filme “O Lado Bom da Vida” retrata pessoas que adquirem dificuldades em aceitar frustrações e por consequência, apresentam impulsos agressivos e autodestrutivos. Analogamente à obra, grande parte da população brasileira sofre com transtornos psicológicos, e em razão da banalização e da falta de acesso à informação sobre o assunto, a saúde mental tornou-se um problema na sociedade contemporânea.

A princípio, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), não há uma definição oficial para o bem-estar, pois existe uma série de fatores culturais e sociais envolvidos, no entanto, de modo geral, pode-se afirmar que significa o estado de saúde cognitiva de uma pessoa. Desse modo, a depressão, a ansiedade e a esquizofrenia, por exemplo, afetam a vitalidade dos  indivíduos tanto quanto enfermidades físicas. Entretanto, as doenças mentais são banalizadas de forma frequente pelo preconceito e pelo excesso de individualismo, reforçando a necessidade da resiliência em uma sociedade moldada pela modernidade líquida, idealizada pelo sociólogo Zygmunt Bauman.

Outrossim, é possível salientar que mesmo com a criação de congressos que reivindicam o acesso irrestrito à rede de atenção psicológica, organizados pela  Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME), a escassez de terapia gratuita ainda é uma realidade no país. Além disso, a dificuldade que a população possui no reconhecimento  de sintomas e na procura de ajuda profissional, alerta a seriedade da discussão do problema. Logo, a cultura do autocuidado exerce suma importância no desenvolvimento construtivo individual no cotidiano e é um ato político presente em várias nuances, abrangendo a consciência de que hábitos são essenciais para a preservação de uma qualidade de vida e para processos de transformação.

Portanto, depreende-se que é preciso concentrar esforços em prol de uma melhor saúde mental dos brasileiros. Assim, cabe ao Estado fornecer atendimento psiquiátrico  por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) e a designar a criação de grupos de apoio, além de oferecer incentivos fiscais às empresas que disponibilizarem assistência psicológica aos funcionários, estimulando a democratização do acesso. Ademais, o Ministério da Educação juntamente com agentes midiáticos, deve promover  a importância do autocuidado  e abordar informações sobre os transtornos mentais, desconstruindo o preconceito criado pela sociedade e enfatizando que procurar ajuda é indispensável. Dessa forma, será possível valorizar o olhar atencioso sob essa problemática.