Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 29/07/2020

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o aumento de comorbidades relacionadas à mente, por exemplo, configura uma realidade à margem da democracia. Sob esta perspectiva, a importância da cultura do autocuidado representa ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro plano, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater comportamentos viciosos. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Em face da atuação inescrupulosa das autoridades, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, os vícios constituíram a causa quintessencial para a péssima qualidade das virtudes mentais, além de contribuírem para a irrelevância, dentre os afetados, da prática regular de hábitos saudáveis, intimamente ligados à saúde física. Dessa forma, geram-se condições favoráveis ao escrudecimento de diversas doenças, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à vida, são ameaçados.

Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte relevante do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios mais primários da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para a sociedade. Ao financiarem atividades econômicas que não privilegiam o desenvolvimento da cultura do autocuidado e um estado psicológico sadio, os empresários comutam-se nos artífices dos atentados contra uma boa qualidade de vida. Logo, desrespeitam, em nome de interesses individuais, importantes concepções da metafísica cristã, culturalmente consagradas, que equilibram as relações sociais. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de interesses egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal, em favor da população, intervir legalmente de modo a mitigar os comportamentos viciosos e assegurar o direito à saúde. Ademais, o corpo social, deve conscientizar toda a sociedade quanto aos benefícios do autocuidado e a imprescindibilidade da saúde mental, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização, para pressionar especialmente os empreendedores a custear projetos cuja finalidade seja aperfeiçoar a percepção coletiva da cultura do autocuidado e da saúde mental. Assim, obter-se-á o mínimo à restauração da soberania popular.