Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 30/07/2020
A Constituição Federal de 1988 garante a todos os indivíduos o bem-estar físico, mental e social. Contudo, essa não é uma realidade brasileira, visto que a taxa de doenças psicológicas, como a depressão, tem se agravado gradativamente. Sob esse aspecto, dois fatores não podem ser negligenciados: a baixa abordagem sobre os cuidados com a saúde mental e a influência negativa que redes sociais podem causar. Dessa forma, medidas cujo objetivo sejam otimizar a prática de autoconhecimento para melhorar a saúde mental devem ser tomadas.
Em uma primeira análise, vale ressaltar que, de acordo com a OMS, cerca de 86% dos brasileiros sofrem com algum tipo de transtorno mental, como a ansiedade e a depressão. Entretanto, a estigmatização da saúde mental gera uma baixa abordagem de temas relacionados à necessidade de autoconhecimento, sendo que esse costume social está presente desde a infância, no qual os alunos não são estimulados a pensarem “fora da caixa” e a desenvolverem afinidades pelo que está fora do padrão. Destarte, tal atitude prejudica o reconhecimento do valor pessoal e da distinção de pontos fortes e fracos de cada um, corroborando para uma sociedade padronizada.
Concomitantemente, soma-se ao supracitado que, de acordo com Francis Bacon, o meio influencia as ações de cada indivíduo. Sendo assim, a falta da formação de um pensamento crítico social facilita a manipulação realizada pelas mídias, prejudicando nas decisões do que é realmente necessário para a construção de uma vida feliz. Como exemplo disso, é possível observar que as empresas fazem uso excessivo de propagandas que induzem a compra de produtos e que geram lucro a elas. O bombardeio de informações na era digital provoca uma sensação de insuficiência e, se não tratado com cuidado, pode agravar os problemas psicológicos.
Perante o exposto, são necessárias medidas intervencionistas governamentais. Urge que o Ministério da Educação, promova em escolas campanhas que incentivem a autorreflexão de crianças e jovens, disponibilizando livros e palestras sobre atitudes e limitações. Outrossim, o Ministério da Saúde, juntamente com indústrias midiáticas, devem estimular, por meio de propagandas em horário nobre, a procura por profissionais dessa área, para que, por meio de técnicas como o diálogo, seja possível perceber como o paciente se vê inserido no mundo. Sendo assim, os debates sobre saúde mental serão mais recorrentes e esse tema deixará de ser, gradativamente, considerado um tabu.