Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 30/07/2020

A segunda geração de poetas românticos do século XIX, denominada ultrarromantismo, inspirava-se em temáticas pessimistas, como a morte, a depressão e o suicídio. De maneira análoga, se tal movimento literário idealizasse seus versos poéticos no século XXI, esses se relacionariam com os crescentes problemas psíquicos, que acometem o bem-estar psicológico da sociedade hodierna. Com efeito, é mister analisar as causas da ausência de uma plena saúde mental no mundo contemporâneo, bem como expor a importância cultural do autocuidado.

A princípio, é imperativo elucidar que a Constituição Federal de 1988 assegura o direito à saúde e ao bem-estar a todos os cidadãos brasileiros. No entanto, tal preceito jurídico faz-se pouco efetivo em metodologias práticas devido à falta de mobilização do Estado, no setor educacional, no que tange à abordagem de temas relativos a problemas psíquicos e dos impactos desses no meio social. Tal fator pode ser analisado à luz do filósofo Immanuel Kant, que afirma que o homem é aquilo que a educação faz dele. Dessa forma, sob a perspectiva filosófica kantiana, constata-se a relevância de uma participação mais efetiva do Poder Público na questão socioeducativa, a fim de reverter a problemática.

Outrossim, é válido averiguar que a Era da Informação, também conhecida como Terceira Revolução Industrial, designa o período histórico e tecnológico em voga. Nessa ótica, o acúmulo excessivo de informações somado ao uso exacerbado das redes sociais têm gerado uma pressão social significativa na população, sobretudo em indivíduos mais jovens. Isso comprova-se por meio de pesquisas norte-americanas da Universidade da Califórnia, que indicam que a utilização desenfreada da internet contribui com o aumento de doenças psíquicas, como a depressão e a ansiedade. Logo, é substancial que mudanças comportamentais sejam efetivadas para reverter tal paradigma.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete a urgência de medidas para mitigar o panorama vigente, com o intuito de tornar a cultura do autocuidado mais acessível. Portanto, compete ao Ministério da Educação (MEC), mediante verbas públicas, implementar projetos educativos nas escolas, que abordem problemas psicológicos contemporâneos, bem como a participação tecnológica nesse cenário. Isso deve ser feito a partir de palestras, fóruns de discussão, aulas e distribuição de materiais informativos, ministrados por profissionais da educação, da tecnologia e da psicologia, com o objetivo de conscientizar a população, desde cedo, sobre a importância da saúde e do bem-estar mental. Assim, a sociedade e o Estado serão mais promissores em lidar com essa conjuntura.