Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 31/07/2020

No livro “Angústia”, de Graciliano Ramos, Luís da Silva, o  personagem principal, é apresentado como uma complexa figura que, em certos trechos, abandona sua fração humana e passa a considerar seu ser como uma mera ferramenta laboral, da mesma forma que seus superiores do escritório faziam. De maneira análoga, infelizmente, muitos indivíduos abandonam tanto o exercício do autocuidado como sua subjetividade humana. Tal problema persiste pelo incentivo à busca constante pela produtividade  -que o indivíduo encontra desde seu nascimento - e contribui para problemas econômicos na sociedade.

A priori, é importante comentar que, segundo o sociólogo Max Weber, a sociedade moderna passa por um processo denominado burocratização. Sob essa óptica, segundo o pensador, os indivíduos são induzidos, desde seu nascimento, a buscar intensamente pela produtividade para sobreviver na sociedade capitalista. Entretanto, em troca, precisam abandonar sua subjetividade - visto que esta não garante a eficiência buscada no modelo atual de produtividade. Dessa forma, muitas pessoas passam pelo processo de objetificação e desencantamento, abandonando sua fração humana e os cuidados consigo mesmas, impasse que as deixa sujeitas a distúrbios psicológicos - como a depressão.

Além disso, vale ressaltar os problemas econômicos que a situação em questão gera dentro de um país. Acerca disso, basta considerar que, de acordo com o Ministério da Saúde, a taxa de suicídios veio acompanhada com o aumento da depressão no Brasil e o perfil da maioria dos suicidas são pessoas de meia idade. Nesse sentido, a falta da prática do autocuidado e da saúde mental implicam no crescimento da taxa de mortalidade da população economicamente - PEA - ativa dentro de um país. O problema disso reside em um paradoxo: a busca intensa pelo capital na sociedade de weber é responsável pelo aumento da produtividade, mas gera a redução de consumidores, da movimentação do capital e do Produto Interno Bruto de um país pela queda da PEA .

Com base nos fatos discorridos, percebe-se que medidas que promovam a saúde mental são essenciais e importantes não só para o indivíduo, mas como para a economia de um país. Para realiza-las, o Agencia Nacional de Telecomunicações deve mostrar os efeitos da falta de saúde mental e autocuidado no individuo e na sociedade, por meio de propagandas  em TV aberta. Essas propagandas devem demonstrar que a busca constante por produtividade pode não ser saudável e levar à depressão, assim como incentivarem seus telespectadores a realizarem atividades saudáveis para a mente, como passeios, conversas, jogos, entre vários outros. Dessa forma, a cultura do autocuidado será gradativamente disseminada e os problemas de sua ausência combatidos.