Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 01/08/2020
Segundo Bill Gates, a saúde mental será um dos maiores focos da tecnologia nas próximas décadas. A partir disso, percebe-se não só a importância desse tema, mas também a falta de atenção que os avanços médicos e tecnológicos vêm prestando a ele. Portanto, a fim de que tais incentivos sejam cumpridos, é necessário discutir os desafios da problemática e reconhecer a cultura do autocuidado como importante.
A princípio, de acordo com o autor Andrew Solomon, trazer a problemática da saúde mental para um plano mais palpável é um dos maiores desafios na discussão sobre o tema. Ou seja, a saúde da mente ainda é vista sob uma óptica subjetiva, com preconceito pela parte majoritária da população, por não estar sujeita a uma dor física – como uma dor de dente, que pode ser curada com obturação ou extração, por exemplo. Assim, pesquisas científicas contribuem para a desconstrução desse imaginário geral e permitem disseminar as boas práticas do autocuidado, como a Revista Pesquisa FAPESP, a qual divulgou, em 2019, que baixa auto-compaixão é capaz de aumentar em cerca de 39% a fabricação do cortisol, o “hormônio do estresse”.
Além disso, a laureada cientista Elizabeth Blackburn salienta a importância do cuidado com a saúde mental ao relacioná-la à qualidade e à expectativa de vida. Porém, seu desfoco de incentivos financeiros científicos e pouca participação nos debates médicos expõe o descaso e a ignorância com que a problemática é tratada, uma vez que não recebe a devida atenção, e tem como consequência o agravamento do tema. Logo, entende-se como importante a promoção da cultura do autocuidado em todas as esferas da sociedade: desde nas escolas até nos ambientes de trabalho e laboratórios de pesquisa.
Portanto, é dever do Estado promover pesquisas sobre saúde mental, por meio de programas de incentivo científico – como por exemplo financiar competições, com prêmios para os melhores resultados –, a fim de expandir os conhecimentos nessa área. Ademais, é importante a colaboração das instituições educacionais na disseminação da cultura do autocuidado, por meio de espaços de discussão e instrução sobre o tema, com atividades coletivas, como teatro, dança, debates literários, e com a participação de profissionais da saúde, como psicólogos e psicopedagogos, para que os participantes sejam introduzidos ao cuidado com a mente e estimulados a praticá-lo. Dessa maneira, será possível tornar verdade a previsão feita por Bill Gates e solucionar os desafios da problemática.