Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 10/01/2021
Na série original da Netflix ‘’Os 13 porquês’’ retrata os motivos pelo qual uma adolescente do ensino médio, Hannah, decide se suicidar. Na trama, reflexões acerca da falta de acompanhamento da escola, seguido do má preparo dos educadores nessas situações, evidenciam as dificuldades que a estudante passou. Não distante da ficção, nos dias atuais, a saúde mental e a importância da cultura do autocuidado, tem gerado controvérsias. Nesse sentido, torna-se necessário o debate acerca de suas causas e possíveis soluções.
A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões socioculturais. Durante toda formação do Estado brasileiro, a busca por tratamentos com psicólogos e terapeutas, vem acompanhado de preconceitos e desinformação por parte da população. Prova disso, são histórias publicadas pela jornalista Daniela Arbex no livro ‘’Holocausto brasileiro’’, em que relata as péssimas condições de clinicas psiquiátricas no Brasil em 1900, na qual 70% não tinham nenhuma doença mental, sendo necessário apenas um acompanhamento, na qual a família encarava como loucura. Dessa forma, apesar de avanços significativos com a Nova reforma Psiquiátrica de 2001, a aversão causada pela fala de conhecimento, que consequentemete gera preconceito, ainda é um problema.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores econômicos. Embora a Constituição Federal de 1988, determine, por meio do Artigo 196, que a saúde é um direito de todos e dever do Estado, dados divulgados pela Folha de São Paulo violam essa garantia fundamental. De acordo com a pesquisa, apenas 3% do orçamento do Ministério da Saúde (MS) são destinados a qualidade emocional da sociedade, percentual abaixo do indicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O que evidencia, não apenas o descaso do governo em políticas públicas voltadas ao assunto, mas também enfatiza a escassez de recursos imprescindíveis para o incentivo de tratamentos preventivos e alternativos.
Torna-se evidente, portanto, que a os desafios para ter uma comunidade saudável mentalmente no Brasil, possui entraves que precisam ser revertidos. Logo, é necessário que o MS em parceria com o da Educação e mídia, desenvolva campanhas e palestras sobre o autocuidado e a importância do acompanhamento de profissionais em casos de debilitação mental, de maneira a mostrar a diversidade, além de erradicar estigma de preconceitos criado historicamente. Em adição, o Estado deve por meio do redirecionamento de verbas, investir em um maior acompanhamento e tratamentos alternativos nessa minoria, com finalidade de tornar o sistema de saúde cada vez mais centrado na prevenção. Com essa medidas, talvez, situaçoes em que a Hannah vivenciou na série, seja apenas uma ficção.