Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 02/08/2020
O filme “Coringa”, retrata a vida do protagonista Arthur Fleck que sofre de um transtorno denominado Transtorno da Expressão Emocional Involuntário. Durante a narrativa, é possível perceber que o problema do personagem é alvo de ataques e que nem ele próprio sabe lidar com suas emoções. Embora seja uma obra ficcional, o filme apresenta características que se assemelham ao atual contexto brasileiro, pois, assim como na obra, acontece corriqueiramente a banalização das doenças mentais. Destarte, é fundamental analisar as razões que tornam essa problemática uma realidade no mundo contemporâneo.
Em primeiro plano, é necessário avaliar como a banalização das doenças mentais por parte dos indivíduos contribui para a problemática em questão. De acordo com a psicóloga e Coach de saúde e Bem-Estar Sharon Feder, é preciso procurar um médico pelo menos uma ver por ano, - isso pode variar se houver alguma patologia estabelecida, nesse caso, as visitas devem ser frequentes, porém o “check up” anual não pode ser negligenciado -. Entretanto, tais recomendações não são seguidas pela maioria da população, visto que, em tempos pós-modernos os indivíduos encontram-se em uma correria constante pela busca da realização profissional de modo que acabam deixando de lado a importância da cultura do autocuidado, por sua vez, criam esteriótipos acerca da saúde mental. Dessa maneira, entende-se essa questão como uma problemática cuja resolução deve ser imediata.
Ademais, é relevante examinar a negligência familiar - no que diz respeito à falta de apoio aos indivíduos com problemas mentais - como outro fator da problemática debatida. No livro “As Vantagens de ser Invisível” de Stephen Chbosky, o intérprete Charlie, é um adolescente que sofre de depressão. Rodeado de dilemas típicos da juventude e extremamente sensível, o personagem descreve o seu presente e seus traumas do passado, mostrando como suas vivências interferem no seu estado emocional. Sob essa ótica, é notório como os sintomas das doenças mentais são despercebidos por parte dos familiares dos indivíduos, de modo que os mesmos não têm o menor suporte adequado para enfrentar tais doenças, e assim se isolam e acabam por piorar ainda mais o quadro da depressão.
Portanto, fica evidente a necessidade de combater a negligência da saúde mental e a importância da cultura do autocuidado. Para tanto, é deve do Ministério de Saúde - órgão responsável pela prevenção e assistência à saúde -, inserir por meio de verbas específicas, campanhas socioeducativas voltadas à desconstrução de preconceitos acerca da saúde mental para toda a população adquirir o autocuidado, assim como os pais devem observar o comportamento dos filhos, tais ações visam o cuidado com a saúde mental de toda a população. Feito isso, será possível toda a sociedade adquirir o autocuidado.