Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 02/08/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à saúde e ao bem-estar. Entretanto, a celeridade da vida moderna e a pressão social pelo sucesso  profissional e financeiro geram tensão e ansiedade em demasia e prejudicam o exercício pleno dos bens jurídicos tutelados no texto constitucional. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de intervenção estatal, aliada à iniciativa popular, com vistas a disseminar conhecimentos acerca da importância da saúde mental e diminuir a prevalência de males psiquiátricos como a depressão.

Em princípio, sabe-se que a disponibilização de suporte de saúde eficiente para toda a população é fundamental para a manutenção da homeostase (equilíbrio interno) em uma sociedade. Assim sendo, por figurar entre as maiores potências da atualidade, é racional crer que, no Brasil, lida-se com o assunto de forma séria e efetiva. Todavia, a realidade difere da expectativa e a consequência dessa contraste é refletida na expressiva taxa de indivíduos depressivos em solo nacional. Conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2020, o Brasil é o país mais deprimido da América Latina, com número absoluto de casos acima dos 12 milhões. Dessa forma, infere-se a necessidade de reflexão acerca do tema, para que se controle, o quanto antes, a grave problemática.

Em segundo plano, faz-se imperioso salientar que é função do Estado gerir o Sistema Único de Saúde de forma a atender, de forma qualitativa, as demandas nacionais. Isto posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergará a sombra, por serem incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o sol com o esforço governamental, financeiro e normativo, envidado no sentido de qualificar profissionais da área de saúde e distribuí-los em solo nacional, a fim de orientar a população a respeito do autocuidado e garantir a saúde psicológica nos diversos estados e municípios. Desse modo, a sombra, ou “status quo” (estado atual), cederá espaço ao progresso, caso a luz irradie com maior intensidade.

Destarte, depreende-se que o Estado tem importante papel a cumprir no ajuste do panorama contemporâneo. Logo, cabe ao Legislativo a abertura de comissão permanente que atue de forma firme e constante no estudo da causa sanitária. Para isso, deverão ser conclamados membros do Ministério da Saúde, economistas e demais cidadãos que detenham conhecimento útil e almejem representar o país em plenário, a fim de assegurar pluralidade aos trabalhos. Ademais, além de ostensiva campanha de conscientização, é mister que o Ministério da Saúde oriente a população acerca do reconhecimento de sintomas das principais doenças psiquiátricas e da urgência na busca por opiniões profissionais, caso seja necessário. Assim,o país rumará à ordem e ao progresso, conforme lema positivista nacional.