Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 16/08/2020
Uma das frases mais famosas de René Descartes é “Penso, logo existo”. Nessa citação, pode-se concluir que a existência é uma consequência do pensar. Se o pensamento e a mente de um ser não estão saudáveis, sua existência e qualidade de vida serão prejudicados. O que foi dito pelo filósofo, no entanto, não só acarreta uma reflexão acerca da necessidade de manter uma sanidade psicológica, como também sobre o cuidado físico, que é de suma importância para a sobrevivência. Nesse cenário, deve-se analisar a razão pela qual as pessoas não praticam o autocuidado, que é imprescindível para a vida humana, e as consequências ocasionadas pela falta dessa prática.
O autor Frei Betto, em seu texto Passeio Socrático, discorre sobre como as pressões sociais atuam negativamente na disseminação da cultura do autocuidado. A narrativa expõe que na sociedade contemporânea os seres humanos estão sempre trabalhando e estudando, e não tem tempo para realizarem atividades físicas, fazerem acompanhamento psicológico, terem um momento de autoconhecimento, entre outros. Além disso, existe um preconceito na sociedade que faz com que as pessoas resistam a busca da ajuda de profissionais na saúde mental. Dessa forma, percebe-se que a rotina intensa e os preconceitos, ambos acarretados pela sociedade, atrapalham na difusão do autocuidado.
Em uma segunda análise, pode-se perceber que as consequências da falta de saúde física e mental na atualidade são inúmeras. No âmbito psicológico, deve-se ressaltar que de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com a população mais ansiosa de todo o mundo, e esse dado, sem dúvidas, é reflexo da pouca importância dada pelos brasileiro ao cuidado da saúde mental. No que diz respeito ao cuidado físico, as estatísticas também são preocupantes: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 47% da população da nação brasileira é sedentária. Tal pesquisa corrobora com a afirmação de que os cidadãos desse país não tem consciência da importância do autocuidado.
Sendo assim, pode-se perceber que providências precisam ser tomadas rapidamente. A disseminação da cultura do autocuidado é uma questão de saúde pública, portanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), juntamente com o Ministério da Saúde do Brasil, deve promover campanhas incentivando essa prática, afim de acabar com o preconceito na busca pelo autocuidado. Essa ação deve ser feita na internet e em escolas, para que atinja o maior número de pessoas possíveis, e por intermédio de profissionais da área da saúde, como médicos e psicólogos. Portanto, através dessas medidas, poderia-se mostrar aos cidadãos a importância da cultura do autocuidado e da saúde mental.