Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 03/08/2020
Após a Terceira Revolução Industrial, em meados do século XX, avanços tecnológicos e um novo conceito de profissionais influíram diversas mudanças no globo. Nessa lógica, uma das principais adaptações adotada pela humanidade foi o fortalecimento da saúde mental para uma melhor convivência com os desafios desse período. No Brasil, entretanto, a distorção da cultura do autocuidado e o novo perfil de profissional almejado pelo mercado de trabalho têm configurado alguns fatores que desestabilizam a saúde mental do brasileiro. Nesse sentido, convém analisar essa problemática, com o intuito de amenizar os possíveis danos psicológicos emergentes na sociedade.
Inicialmente, é importante verificar o principal impacto da distorção da cultura do autocuidado no Brasil. Nesse contexto, as redes sociais, como Instagram e Facebook, são ferramentas comumente utilizadas para expor ideias utopistas de estilos de vida saudáveis que, por vezes, influenciam o modo de ser e agir de parte da população. À vista disso, cria-se um ideal de autocuidado a ser alcançado que norteia a vida de alguns indivíduos para objetivos, muitas vezes, irreais e que provocam danos à autoestima quando não alcançados. Desse modo, é lamentável como a cultura do autocuidado é distorcida e acaba tendo efeitos antagônicos aos que essa prioriza para manutenção da saúde mental.
Ao mesmo tempo, vale ressaltar o efeito do novo perfil profissional almejado pelo mercado de trabalho na saúde mental do brasileiro. Nessa conjuntura, após a implantação do Toyotismo nos mais variados setores laborais da sociedade, a exigência por profissionais versáteis tem sido cada vez mais frequente nas vagas de emprego. Sob essa perspectiva, o cidadão, para se adequar aos requisitos empresariais e poder desfrutar de uma renda, coloca-se em situações de estresse contínuo, com cursos e especializações, e acaba não tendo tempo para praticar o autocuidado necessário para manutenção de uma boa saúde mental. Dessa forma, é absurda a forma como o cidadão precisa agir diante de um mercado exigente tendo que negligenciar seu psicológico para conseguir um trabalho.
Nota-se, portanto, o quão danosa a distorção da cultura do autocuidado e o novo perfil profissional são para a saúde mental do brasileiro. Assim, cabe ao Governo Federal participar da manutenção da qualidade da saúde psicológica da população. Isso pode ser feito por meio do esclarecimento do conceito e da importância do autocuidado, ao promover palestras de conscientização com psicólogos no Sistema Único de Saúde, e do auxílio aos cidadãos que estão se adequando ao mercado, ao disponibilizar bolsas como forma de remuneração e viabilizar um cronograma de especialização menos intenso. Espera-se, dessa maneira, que o brasileiro tenha sua autoestima preservada, o autocuidado valorizado e sua saúde mental melhor preparada para os desafios da Terceira Revolução Industrial.