Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 14/09/2020
O livro “Duplin”, de Julie Murphy, retrata a história de Will, uma garota com triste e descontente com a própria aparência, que enfrenta, além da baixa autoestima, dificuldade em encontrar apoio psicológico em sua cidade. Fora da ficção, a falta de autocuidado se encontra pertinente na sociedade brasileira. Nesse sentido, a falta de discussões sobre a necessidade do zelo próprio e a escassez de locais de apoio psicológico atuam como agravantes do cenário atual.
Em primeira análise, faz-se necessário uma avaliação acerca do percentual de indivíduos que não se sentem satisfeitos com a própria aparência. Com isso, dados do IBGE apontam que mais de trinta por cento da população brasileira possui a autoestima baixa. Tal situação é reflexo da falta de estímulo ao próprio cuidado, pois, a temática não é amplamente abordada como uma necessidade real e que deve ser colocada em prática todos os dias. Desse modo, o sociólogo, Nina Rodrigues, defende que o autocuidado deve ser um hábito diário e que ele precisa ser inserido desde a infância, para que, as crianças cresçam tendo em mente que o amor próprio deve ser uma de suas prioridades.
Ademais, a carência de ambientes que oferecem atendimento psicológico gratuito dificultam, ainda mais, a situação. Nessa perspectiva, a Organização Mundial de Saúde revela que mais de setenta por cento dos casos de ansiedade e depressão estão vinculados à baixa autoestima, logo, é muito mais provável que as pessoas, que não pratiquem o autocuidado, desenvolvam alguma doença psicológica, como as supracitadas. Dessa forma, o apoio psicológico é essencial para fazer o sujeito se considerar como alguém importante e evitar que a falta de cuidado do indivíduo, para com ele mesmo, se prolongue e venha se tornar algo patológico.
É imprescindível, portanto, que o Estado tome medidas para a melhoria da conjuntura. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve, juntamente com os municípios, expandir a ideologia de autocuidado para a população, por meio da criação de uma “Semana do Eu”, na qual serão oferecidas , nas escolas e praças públicas, atividades de cuidado próprio, como: exames de rotina, aulas de meditação e debates sobre o quão necessário é se aceitar e cuidar de si mesmo, a fim de diminuir o índice de pessoas com baixa autoestima. Além disso, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Economia, precisa ampliar o número de locais que fornecem atendimento psicológico gratuito, através do investimento na construção de locais de apoio e contratação de psicólogos, para que esses atendam a população. Somente assim, dramas, como os vividos pela personagem Will, deixarão de ser uma realidade na vida de milhares de brasileiros.