Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 03/08/2020

A olimpíada, evento milenar e de origem grega, promovia a confraternização entre os cidadãos e estimulava a busca por um corpo saudável. Esses dois elementos, segundo o filósofo Aristóteles, compunham a base pela qual o indivíduo se tornaria feliz, isto é, a concepção de um ser coletivo mas que preza pela sua integridade física e mental. Atualmente, o autocuidado abrange outras áreas além dos exercícios e tem desempenhado um papel importante na manutenção da saúde mental nas populações. Todavia, essa prática tem encontrado entraves para a sua difusão na sociedade.

Primeiramente, as novas relações socioeconômicas da sociedade capitalista no século XXI têm colocado a saúde mental e física do ser humano em risco. Tal fato decorre da ideologia do amor ao capital, que tem levado os trabalhadores a sacrificarem o cuidado com o corpo e a mente, em prol do sucesso monetário. Desse modo, o autocuidado é importante para garantir o equilíbrio nessa nova dinâmica social e pode manifestar-se de diferentes formas, dentre as quais podemos citar: A prática de exercícios como viés de manutenção do bom funcionamento do corpo e como tratamento para a ansiedade e depressão, a condução de bons hábitos alimentares, de modo a elevar a autoestima, por meio do cuidado com estética e, por fim, a busca pela socialização, que facilita o enfrentamento de problemas diversos e satisfaz a concepção aristotélica de felicidade.

Apesar dos benefícios promovidos, a prática do autocuidado não corre de forma homogênea pela sociedade, em função da ineficiência das políticas públicas para este fim. Um dos reflexos imediatos disso é a sobrecarga do sistema de saúde pública de países como o Brasil, no qual há um enorme contingente de pacientes acometidos por patologias que poderiam ser evitadas, caso a busca pelo zelo individual fosse institucionalizada. Concomitantemente a isso, a parcela da população menos abastada têm pouco conhecimento acerca do dever constitucional do Estado em garantir o bem comum de sua população, o que favorece a continuação da problemática.

Diante disso, depreende-se a necessidade de implementar medidas que visem propiciar a busca do autocuidado e a manutenção da saúde física e mental, o que deverá ser realizado mediante diferentes medidas. Ao Ministério da Saúde, cabe a veiculação de campanhas publicitárias, cujo conteúdo esteja centrado em ensinar as diferentes formas pelo qual os exercícios, uma dieta equilibrada e a socialização podem ser realizados, com o intuito de estimular o zelo próprio entre a população. À Sociedade Civil Organizada, compete a realização de palestras em espaços midiáticos, pautadas na conscientização da população acerca do dever do Estado em garantir o exercício de práticas de autocuidado, para que este direito seja integralmente usufruido.