Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 04/08/2020

O progresso tecnológico advindo desde a Iº Revolução Industrial veio acompanhado das novas doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade. Com isso, a necessidade de produzir e lucrar cada vez mais, em detrimento da saúde da população, conseguiu criar raízes nas sociedades que, embora muitos indivíduos busquem manter a boa forma do corpo ou da mente, essa ideia é limitada a boa parte das pessoas. Assim, é necessário salientar que o estresse  da vida contemporânea e a falta de estrutura urbana para  promover o bem-estar são barreiras impostas a serem superadas.

Primeiramente, a vida na sociedade contemporânea exige cada vez mais produtividade dos indivíduos. Ademais, muitas pessoas vivem constantes cobranças no emprego, lares ou em sua vida amorosa. Isso, aliado à insegurança social, desemprego, custo de vida gera estresse psicológico e, possivelmente, debilitam a saúde orgânica da pessoa. O filósofo Byug Chul Han, em seus estudos, afirma estarmos em uma ‘‘A Sociedade do Cansaço", o que é muito pertinente, dado que toda essa lógica de super-desempenho gera estresse, ansiedade e pode causar distúrbios na saúde mental das pessoas pela simples falta de autocuidado em prol do bom desempenho em outras áreas da vida.

Concomitantemente, a falta de estrutura urbana para promover bem-estar desgasta ainda mais a saúde das pessoas.  Outrossim, muitos indivíduos dos centros urbanos não possuem acesso a locais adequados para a prática de exercícios físicos, como praças, ciclovias e, quando existem, geralmente estão distantes, principalmente das pessoas mais pobres. Além disso, grande parte dessas pessoas passam mais de duas horas por dia somente no trânsito para ir ao trabalho, como mostram a pesquisa do Instituto de Pesquisa de Mercado (IPSOS), e não possuem tempo hábil para cuidar da saúde, dos filhos, se alimentar bem e, até mesmo, dormir sete horas por dia. Isso revela a negligência do poder público em promover o direito ao bem-estar, previsto na Constituição, como transporte efetivo ou, simplesmente, locais adequados para o lazer e atividades físicas.

Portanto, superar os desafios para a prática da saúde mental é fundamental e cabe ao Ministério da Saúde realizar campanhas constantes de incentivo e conscientização da prática do autocuidado. Isso pode se realizado por meio de projetos semanais nos postos de saúde ou ginásios que realizem atendimento com acompanhamento de profissionais da saúde, como psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e médicos. Essa medida visa promover a saúde mental e tornar acessível essa prática, principalmente às pessoas sem condições financeiras para pagar por esses serviços. Dessa forma, a saúde mental e o autocuidado não serão somente privilégios de poucos, mas uma realidade de muitos ao superar a raiz industrial exploradora.