Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 04/08/2020

" O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles “. Essa afirmação da filósofa Simone de Beauvoir pode servir de metáfora para falta de saúde mental e de autoconhecimento no tecido social brasileiro, uma vez que, por mais escandalosa que seja essa situação, poucos são os esforços destinados a resolvê-la. Indubitavelmente, tal conjuntura advém tanto da alienação urbana quanto do silenciamento pessoal.

Deve-se analisar, primeiramente, que a alienação individual no cenário vigente é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, consoante ao pensador moderno Arthur Shopenhaeur, a humanidade é provida pelos desejos e pelas ambições, corroborando atitudes hedonistas, ou seja, que priorizam o prazer em detrimento da racionalidade, que alcançam, assim, patamares prejudiciais. Diante disso, sabe-se que a alienação ao enfrentamento da vida urbana social, muitas das vezes, conduz as fugas mentais, que sem o auxílio profissional, resultam na estigmatização dos transtornos psicológicos, favorecendo ao aumento da ansiedade e até mesmo da depressão. Logo, é substancial a dissolução desse panorama infringente.

É  vital evidenciar, ainda, que a falta de autoconhecimento entre os indivíduos brasileiros encontra terreno fértil no silenciamento da população. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob essa óptica, para que haja a exclusão dos empecilhos psicológicos, é necessário discutir sobre. No entanto, verifica-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, visto que tal impasse mental, é constantemente elitizado pela ignorância populacional, além do que, conforme o levantamento do Portal G1, 20% dos brasileiros tendem a sofrer algum transtorno social psicológico. Nessa lógica, trazer à parte essa patologia e discuti-lá, amplamente, aumentaria a chance de atuação nela.

Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, em consonância  com a secretaria especial do Ministério da Saúde, por meio de ações: programas de atendimento psicológico pelo SUS, acompanhamento profissional nos centros urbanos, promover a orientação de toda parcela significativa, para que, de tal forma, a saúde mental dos brasileiros possam estar devidamente resguardada, promovendo o autoconhecimento social, visto que a própria Carta Magna de 1988, assegura a todos o direito a preservação da saúde. Somente, assim, os escândalos mimetizados por Simone de Beauvoir poderão ser desabituados da nação.