Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 05/08/2020

O filme “Bicho de Sete Cabeças” é uma aclamada obra nacional que mostrou a precariedade dos serviços de apoio psicológico oferecidos aos brasileiros. Nos dias atuais, essa produção continua retratando a realidade, pois a falta de cuidados com a saúde mental e com o bem-estar do indivíduo é um grave problema para o Brasil. Nesse contexto, cabe avaliar como a pouca importância que os cidadãos dão ao assunto e a negligência estatal contribuem para tal questão.

É fato que uma parcela considerável dos brasileiros não dá a devida relevância ao autocuidado e à saúde mental, e prova disso foi a criação da campanha do “Janeiro Branco”, para conscientizar os cidadãos quanto à importância do assunto. Porém, tal comportamento é preocupante, pois, segundo o psicanalista Sigmund Freud, a negligência ao tratamento de traumas e abalos emocionais pode resultar em graves sintomas físicos e psicopatologias com o passar do tempo. Como resultado, pela pouca valorização do tema, muitos brasileiros não desenvolvem hábitos de melhoria do bem-estar e ficam sujeitos ao comprometimento da saúde física e emocional.

Além disso, é imperativo ressaltar a falta de investimentos estatais como promotor do problema. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem-estar da população. Todavia, os governos não cumprem esse papel, pois, como ilustrado pelo filme “Bicho de Sete Cabeças”, não há a valorização dos serviços de suporte emocional, e, na esfera do setor público, faltam equipamentos e profissionais. Nesse viés, os governantes têm tal postura porque há a preferência por investimentos em setores que geram lucros em curto prazo, como o agronegócio e a indústria. Consequentemente, as pessoas, mesmo as que já reconhecem a importância do cuidado com a saúde mental, não conseguem o acesso a psicólogos e psiquiatras, por exemplo, que podem dar suporte à população.

Portanto, é necessário que a falta de apoio à saúde mental e ao autocuidado seja enfrentada. Dessa forma, cabe ao Ministério da Saúde, por meio de parceria com emissoras de televisão, divulgar campanhas publicitárias sobre o assunto, sobretudo no horário nobre, com a finalidade de levar tal reflexão ao grande público. Outrossim, o Governo Federal deve aumentar o número de profissionais e postos de atendimento dos Centros de Atenção Psicossocial, nas capitais do Brasil mais populosas, o que resultará na maior oferta de serviços de cuidado psicológico. Assim, a saúde mental e o autocuidado serão finalmente valorizados, e o descaso em relação à área ficará restrito à ficção.