Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 06/08/2020

Nos anos 1970, Reagan, Thatcher e Pinochet, lastreados pela doutrina econômica de Hayek, dão início ao neoliberalismo, que tem como ideal a interferência mínima do Estado na economia. Desde então, a classe trabalhadora presencia a progressiva deterioração dos direitos e garantias conquistados no século XX. Com a piora das condições de vida, muitos trabalhadores abdicam das horas de lazer para complementar a renda. Assim, grande parte da população é privada do autocuidado físico, bem como do autocuidado mental.

De início, vale ressaltar que, por conta da flexibilização laboral, o número de empregos formais vem caindo ano a ano. Segundo o IBGE, entre 2013 e 2020, o país presenciou o aumento do desemprego de 6% para mais de 12%. Sem carteira assinada, as oportunidades de renda são encontradas na informalidade, que não oferece estabilidade e tem uma remuneração bastante inferior. Desse modo, muitos abdicam das atividades físicas e de lazer para tentar complementar a renda com mais horas trabalhadas.

Além disso, a magreza da remuneração percebida faz com que a saúde mental não seja levada em conta. Muitos brasileiros sequer cogitam tratamentos psicoterápicos, pois são muito caros e, de acordo com o IBGE, a renda média não ultrapassou 500 reais em 2019. Por conta disso, o país hoje é um dos que mais sofre com distúrbios de ansiedade. Para a Organização Mundial da Saúde, o Brasil é a nação mais ansiosa do planeta.

Portanto, para haja mais autocuidado é preciso que sejam garantidos empregos com boa remuneração e com carga horária que permita que o trabalhador tenha vida fora da empresa. Para tanto, o Governo Federal deve, por lei, instituir programa de revitalização e ampliação do parque industrial. Nesse programa, devem ser dados abatimentos fiscais às empresas que mais empregam e oferecem melhores condições de trabalho. Dessarte, serão propiciadas mais condições para o autocuidado.