Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 21/08/2020
Segundo Zygmunt Bauman, há uma falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas, característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Desse modo, nota-se nos dias hodiernos uma liquidez no que se refere à saúde mental e o autocuidado. Nesse contexto, temos a falta de acesso à tratamento e clínicas especializadas, e a banalização do bem-estar psíquico como desafios no atual cenário brasileiro.
Em primeira análise, é possível destacar a insuficiência de centros psicossociais de acesso fácil e gratuito como um dos principais motivadores desse obstáculo. De acordo com um dado obtido pelo G1, o Ministério da Saúde suspendeu, no ano de 2018, 78 milhões de reais que estava destinado ao atendimento à saúde mental. Nesse sentido, infelizmente, sem um investimento, não terá como haver redução e melhoria do bem-estar psicológico dos brasileiros, pois é necessário acompanhamento e terapia para tal.
Outrossim, é fundamental salientar a necessidade de debates sobre saúde mental, a fim de que haja entendimento de que não é insignificante. Segundo a Organização Mundial da Saúde, em 2030, os transtornos mentais serão as principais causas de incapacitação no mundo. Dessa maneira, se não houver maior expansão de informações a respeito do autocuidado, como fazer e seus benefícios, o futuro, infelizmente, será o previsto pela OMS.
Fica claro, portanto, que medidas são imprescindíveis para a resolução dessa falha. Cabe ao Governo Federal, a partir do Ministério da Saúde, investir recursos na construção de novos Centros de Atenção Psicossocial, disponibilizando psicólogos e psiquiatras, não somente nesses centros mas também em áreas públicas e de amplo acesso e circulação, para que consultas e palestras gratuitas estejam no alcance daqueles que precisam. Somente assim não haverá uma liquidez no Brasil, mencionada por Zygmunt Bauman.