Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 06/08/2020

O dramaturgo e jornalista brasileiro Nelson Rodrigues afirmou certa vez que o brasileiro é um “Narciso às avessas”, que cospe na própria imagem. Embora o escritor tenha usado a expressão para referir-se à visão da população do Brasil sobre a própria cultura, a mesma falta de zelo desse povo com a própria imagem reflete-se também no cuidado com seu corpo e com sua saúde mental. Compreender a importância de uma cultura saudável de autocuidado e a necessidade de políticas públicas para facilitá-la é fundamental.

Primeiramente, é preciso ressaltar a vitalidade de cuidar da própria saúde. De acordo com o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, o aumento da cobrança por produtividade e os estresses cotidianos têm levado a um aumento nos casos de síndromes de burnout e transtornos de ansiedade entre a população. Nesse sentido, práticas de autocuidado, como cultivar hobbies, ter uma boa alimentação e uma rotina de exercícios são essenciais para conter os efeitos maléficos do estresse do mundo contemporâneo. Torna-se essencial, assim, estimular essa cultura.

Ademais, é possível notar como o incentivo a uma cultura de autocuidado deve ser uma questão de saúde pública. De acordo com a Constituição Federal de 1988, a saúde é um direito de todos e um dever do Estado, incluindo práticas de saúde preventiva. Uma vez que o cuidado pessoal e o cultivo de bons hábitos estão diretamente relacionados à manutenção da saúde mental e a prevenção de transtornos psíquicos graves como depressão, é dever do Estado implantar políticas públicas que favoreçam e que estimulem esse tipo de prática. Dessa forma, é possível notar a necessidade tanto de ações educativas sobre o autocuidado sobre como a disponibilização do acesso a essas práticas.

Vê-se, portanto, que o Estado deve agir para estimular uma cultura de autocuidado e prevenir problemas de saúde mental. Para tal, o Ministério da Saúde deve, em parceria com o Ministério das Comunicações, criar campanhas publicitárias que instruam a população sobre práticas de autocuidado, como alimentação saudável, terapia e exercícios. Tais campanhas podem ser veiculadas tanto por meio da televisão, quanto da Internet e devem ser criadas em parceria com especialistas na área, de modo a esclarecer como e porque a população deve adotar tais práticas. Assim, o brasileiro poderá deixar de cuspir na própria imagem e passar a cuidar dela com o zelo necessário.