Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 07/08/2020

“Trabalhar, trabalhar, trabalhar e dormir quatro horas por dia”, essa é a mentalidade da sociedade moderna caracterizada pelo filosofo Byung-Chul Han em seu livro “A sociedade do cansaço”. Sem duvidas, no cenário atual, a cultura do produzir mais está fortemente inserida na mente dos indivíduos brasileiros. Entretanto, a preocupação com o trabalho e as tarefas fez com que os cuidados com a saúde mental fossem negligenciados pela falta de tempo, o que provocou um aumento exorbitante nos transtornos mentais no século XXI. Nesse sentido, a saúde mental é influenciada negativamente pelo desconhecimento da importância da cultura do autocuidado, que persiste por conta do imediatismo e  da falta de representatividade no Brasil.

Convém ressaltar, a principio, que a ausência do autocuidado encontra terra fértil no imediatismo. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no imediatismo. De acordo com a perspectiva do sociólogo, a velocidade que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave problema que atinge diversas áreas da ação humana. Tal imediatismo está presente no problema da falta de autocuidado, afinal, pelo viés imediatista, o tempo livre é algo que deve ser evitado sempre. Por conta disso, essas pessoas acabam desenvolvendo problemas de ansiedade, depressão e crises por não pararem um pouco suas vidas para cuidarem da suas saúdes mentais.

Ademais, a falta de representatividade contribui para o desconhecimento da importância da cultura do autocuidado para saúde mental. Para Rupi Kaur, a representatividade é vital. A poetiza ilustra sua tese fazendo alusão à uma borboleta que tenta ser mariposa por estar rodeada delas. Fora da poesia, verifica-se que a questão da negligência no autocuidado é fortemente impactada pela falta de representatividade presente no problema, que não está sendo fortemente debatido pelas autoridades, sejam governamentais, sejam midiáticas. Dessa forma, sem uma representatividade sobre a importância da cultura do autocuidado, a sociedade não consegue enxergar a importância de separar parte de sua vida corrida para cuidar de si mesma.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, o Ministério da Cultura, em parceria com o conselho Federal de Psicologia, devem produzir campanhas que alertem a população sobre as consequências da mentalidade imediatista na saúde mental, por meio de vídeos e propagandas explicativas que circulem as grandes mídias de acesso, como televisão e youtube. Tais campanhas devem abranger a participação de celebridades que passaram por problemas de sobrecarregamento, apresentando os riscos e perigos que a falta do autocuidado podem acarretar, a fim de demonstrar a importância da cultura do autocuidado para sociedade.