Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 09/08/2020

Durante a chamada Revolução Técnico-Científico-Informacional, foram instauradas novas relações sociais intra e interpessoais pautadas na rapidez e na “eficiência” de cada ação, rigorosamente controlada. Nesse cenário, notou-se , ainda mais, o problema da falta da cultura do autocuidado e do debate sobre saúde mental. Sob esse viés, cabe citar que a internalização de expectativas externas e o aparecimento exorbitante de transtornos mentais na atualidade são fatores dessa problemática.

A princípio, é imprescindível citar que a interiorização de esperanças exteriores é um agravante desse óbice. Nesse contexto, cabe mencionar o sociólogo contemporâneo Pierre Bourdieu, que conceitua a chamada “sociedade do cansaço” como um estado em que os indivíduos de uma população encontram-se tão esgotados, devido à internalização da produtividade exigida por pressões externas, que não resguardam tempo para a prática do cuidado pessoal. Sob essa perspectiva, nota-se que o autocuidado encontra-se comprometido em favor do atendimento de expectativas extrínsecas por produtividade constante.

Ademais , cabe, ainda,  apontar a expansão de casos de transtornos de saúde na atualidade, Nessa perspectiva, convém destacar a postura da OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre a gravidade dos problemas de saúde mental, que passaram a ser reconhecidos como algo preocupante  devido ao aumento de casos de depressão e suicídio, por exemplo. Nesse ínterim, percebe-se a urgência de maneiras efetivas de preservar a saúde mental, aliadas ao aprimoramento das práticas de autocuidado.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde- devido este ser o órgão do governo responsável por questões dessa magnitude- promover, por meio do uso de verbas governamentais, o aumento  da divulgação midiática de práticas de autocuidado e de organizações responsáveis por zelar pela saúde mental  da população, além de minimizar as consequências advindas de transtornos psíquicos , como a CVV (Centro de Valorização da Vida), para que, assim, um debate mais amplo acerca do cuidado pessoal seja instituído na sociedade, o que provocará, concomitantemente, a redução da exigência externa por protuvidade e do número de pessoas com distúrbios mentais, que cresceu com a Revolução Técnico-Científico-Informacional.