Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/09/2020
O autocuidado, segundo Dorothea Elizabeth Orem, é definido como ações desenvolvidas em situações concretas da vida em que o individuo dirige para si atividades em benefício ao seu contínuo desenvolvimento pessoal, mantendo a vida, a saúde e o bem-estar. A realidade pós-moderna transformou a carreira profissional na maior preocupação da vida das pessoas. A pressão social atrelada a ausência de autoconsciência e responsabilidade sobre a própria vida, tem acarretado em uma população cada vez mais ansiosa e depressiva, além de comportamento e hábitos de vida disfuncionais. Dessa forma, é imprescindível remediar tal problemática.
Uma vida pautada na perspectiva do sucesso pessoal onde não há espaço para duvidas, fraquezas e anseios, traz a tona o tipo de sociedade hoje construída. A pressa em conseguir tudo aos vinte e pouco anos exige um preço alto. Ser “bem-sucedido”, em geral, decorre de inúmeras renúncias e privações que podem se manifestar sob a forma de um quadro depressivo ou ansioso. Ainda segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade e 5,8% da população tem depressão. Consequentemente, o indivíduo pode ficar totalmente incapaz de suprir suas necessidades básicas, levando ao um desequilíbrio emocional, baixa autoestima, baixo rendimento e por fim pensamentos suicidas e autoflagelação.
Ademais, o autocuidado é uma forma de fortalecer mente e corpo. Costuma-se esquecer que cuidar de si é fundamental para se viver com qualidade e saúde. É necessário identificar hábitos de vida pouco saudáveis como tabagismo, uso de álcool, privação de sono, uso excessivo de tecnologias e isolamento social, visto que viver é gerar autoconsciência e responsabilidade sobre a própria vida. Uma vez que, a identificação dos comportamentos prejudiciais ao individuo e estabelecimento de hábitos saudáveis, tem como benefícios o aumento da autoestima, da produtividade, melhora nos relacionamentos interpessoais e principalmente impacta diretamente na preservação da vida.
Portanto, é necessário discutir tais problemáticas. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve elaborar por meio de propostas de políticas públicas, a realização de ações de acolhimento, humanização e tratamento, com enfoque na saúde mental, para pessoas com sinais e sintomas de transtornos psicossociais, além do incentivo as práticas integrativas e complementares de saúde, nas unidades básicas, oferecendo acesso a terapias alternativas como fitoterapia, acupuntura e homeopatia a quem busca mecanismos naturais de prevenção de doenças e recuperação da saúde. Assim, a prevenção e o autocuidado é o melhor caminho.