Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 10/08/2020

“Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”.Esse trecho da obra “Índios”,da banda Legião Urbana,pode ser compreendido como uma metáfora acerca da saúde mental do século XXI,em que os indivíduos,após uma breve reflexão,perceberiam a má qualidade mental em que se encontravam.Tal questão psicológica se mostra,hodiernamente,como um problema de saúde pública,o que evidencia a importância da cultura do autocuidado na promulgação do bem-estar dos seres humanos.Nesse sentido,é válido analisar o exaustivo padrão de vida pós-moderno e os tabus sociais como elementos que intensificam os distúrbios mentais na sociedade.

Diante dessa conjuntura,cabe pontuar que a comunidade contemporânea é marcada pela busca à perfeição,tanto no âmbito profissional quanto no social,o que gera a desapropriação dos hábitos do autocuidado em detrimento do “sucesso” momentâneo.Nesse contexto,consolida-se o pensamento filósofo sul coreano Byung-chul Han,no qual relata que o desenvolvimento industrial do capitalismo,após a Segunda Revolução Industrial,culminou no estabelecimento de um padrão de eficiência que só pode ser alcançado quando o indivíduo obtém altos desempenhos em todas as áreas de sua vida.Entretanto,essa ideologia traz,como consequência,uma série de sentimentos negativos ligados à frustração e ao fracasso,já que a plenitude desejada é impossível se ser alcançada.Desse modo,os indivíduos passaram a apresentam diversos quadros de doenças psicológicas,ligadas ao corpo,tal qual a bulimia ou ligadas ao cansaço mental,como a depressão.

Outro fator motivador,a ser considerado,é o preconceito da sociedade,no que tange o impasse da saúde mental,no qual houve a criação de tabus que impedem a busca por ajuda profissional,o que contribui com a negligência do autocuidado.À luz dessa ideia,cabe destacar a historiografia brasileira,em que,por muito tempo,patologias psicológicas eram demonizadas e associadas a forças do mal,devido às influências católicas existentes sobre a sociedade.Sob essa ótica,atualmente,essa depreciação ainda existe em diversos núcleos familiares conservadores.Com efeito,a ausência de ajuda profissional,ocasionado pelo rótulo de “louco”,contribui no agravamento dos casos.

Destarte,urgem,pois,intervenções pontuais para reverter esse impasse.Inicialmente,cabe ao Ministério da Educação,órgão responsável por fornecer um ensino de qualidade,a tarefa de promover palestras educativas em escolas e universidades,que sejam direcionadas a pais e alunos,por meio de profissionais adequados,como os psicólogos e psiquiatras,a fim de atingir indivíduos de diferentes faixas etárias e desfazer preconceitos relacionados a doenças psicológicas,promovendo informações sobre o assunto.Desse maneira,será possível minimizar o impasse.