Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 10/08/2020

O filme “Divertida mente” aborda, por meio de personificações, as principais emoções humanas e de que maneira as pessoas lidam com elas. Na animação, a personagem principal possui uma central de controle, responsável pelo equilíbrio mental, que age positivamente ou negativamente conforme os acontecimentos da vida. Analogamente, a situação se compara ao cérebro humano, o qual processa e controla os sentimentos, assim sendo, a falta de autocuidado e existência de perturbações pode trazer diversas consequências na vida como depressão e transtornos de ansiedade. Sob esse viés, no atual cenário brasileiro, percebe-se que tal questão precisa ser analisada, visto que afeta diretamente a saúde mental.

Em primeira instância, cabe destacar o panorama histórico que gerou a ausência de autocuidado . De acordo com o filósofo Zygmunt Bauman, o fim da “modernidade sólida” e o início da “modernidade líquida”, que é veloz e instável, inaugurou-se após a 3° Revolução Industrial devido à ampliação das inovações tecnológicas e o fortalecimento do mundo capitalista estimulado por ela. Nesse contexto, instaura-se uma nova forma de vida pós moderna, na qual a preocupação em excesso com a vida profissional e as pressões constantes, que geram a necessidade de produtividade extrema, levam as pessoas a esquecerem de cuidar de si mesmas. Contudo, o autocuidado reflete na qualidade de vida, logo faz-se necessário procurar meios para que o cenário retratado mude.

Somado a isso, destaca-se a deficiência nas políticas públicas a respeito da massificação da cultura de autocuidado no Brasil. Nesse sentido, na contemporaneidade, grande parte da população desconhece o verdadeiro significado do termo “autocuidado”, esse que é designado por um conjunto de atitudes, por exemplo atividades físicas e terapias, com o objetivo de cuidar de si. Como reflexo disso, o Brasil passa por um crise de saúde mental, na qual 86% dos cidadãos apresentam algum transtorno psicológico, segundo pesquisa recente da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para que ocorra uma melhora no quadro apresentado. É indispensável que o Governo federal, na condição de garantidor de vida com qualidade, por intermédio de grandes emissoras e da plataforma do YouTube, transmita propagandas a respeito do tema autocuidado, a fim de popularizar o termo de modo correto, orientar a população brasileira a respeitar os limites do corpo e cuidar mais de sua saúde mental. Feito isso, os transtornos mentais, depressão e ansiedade, diminuirão e as prioridades atuais serão ressignificadas.