Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/08/2020
Na série “This is Us”, o personagem Randall, o qual sofre de ansiedade desde a sua infância, demora a aceitar sua condição e se recusa, durante muito tempo, a procurar ajuda médica. De maneira semelhante, inúmeras pessoas, majoritariamente adultas, não frequentam ou frequentam raramente psicólogos e psiquiatras, o que faz com que o tratamento de doenças seja adiado. Desse modo, o conhecimento acerca da saúde mental e a importância da cultura do autocuidado deve ser disseminado e seus empecilhos reduzidos, como os problemas da contemporaneidade e sua elitização.
A princípio, é importante que haja a análise sobre as dificuldades sofridas no mundo moderno. Nesse contexto, na obra “Modernidade Líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, é evidenciado que a velocidade e a constante mudança das coisas, ambas frutos da pós-modernidade, fazem com que os indivíduos acreditem que não podem perder nenhuma oportunidade e que devem ser incessantemente produtivos. Com isso, devido à falta de tempo útil, a sociedade é instigada cada vez mais a prorrogar questões de saúde, principalmente ligadas à saúde mental, uma vez que esta é muitas vezes vista de maneira inútil e dispensável. Dessa forma, milhares de casos de transtornos mentais têm o seu tratamento delongado e as pessoas não desenvolvem uma boa qualidade de vida.
Além disso, é fato que os tratamentos e terapias mentais sofrem da elitização, proveniente do sistema de saúde brasileiro atual. Nesse sentido, fica claro que o acesso a profissionais de bem-estar psicológico não é para todos, primordialmente, pois o SUS - Sistema Único de Saúde- não é capaz de suprir a alta demanda e as clínicas particulares cobram valores excessivos. Tal fato pode ser atestado por meio de uma pesquisa feita pelo Instituto Market Analysis, a qual demonstra que apenas 2% da população brasileira faz terapia, ao passo que esta é vista por 46% dos entrevistados como um serviço destinado e consumido apenas pela elite. Dessa maneira, métodos psicoterapêuticos, fundamentais para o comportamento e autoconhecimento da população, são ignorados pela grande massa.
Em suma, assim como ocorreu com o personagem Randall, medidas de autocuidado e de controle da saúde mental precisam ser inseridas no cotidiano da população. É imprescindível que jovens, adultos e idosos ressignifiquem suas prioridades e se atentem para as necessidades do corpo e da mente. Ademais, é primordial que o Ministério da Saúde, em parceria com institutos e ONGs de atendimento psicológico, a exemplo da ABRATA, Bem do Estar, Espaço Ser e Lar da Benção Divina, realizem atendimentos psicológicos e terapias gratuitas à população economicamente vulnerável, por meio da disponibilidade de psicólogos e psiquiatras em escolas, universidades e asilos e aumento desses profissionais nos postos de saúde, a fim de atender um elevado número de cidadãos.