Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Na série “One day at a time”, Penelope tem sua depressão agravada quando deixa de se medicar e apresenta crises de ansiedade - posteriormente desenvolvida pela filha também. Esse tipo de situação vem se intensificando cada vez mais no mundo contemporâneo, principalmente em decorrência da pandemia do COVID-19, vivida em 2020. Nesse contexto, duas problemáticas são destacadas: a pressão estética imposta pela sociedade que, aliada à falta de cuidado consigo, resulta no agravo de problemas mentais.
A princípio, é válido apontar-se que, com o uso cada vez mais abrangente das redes sociais, a comparação entre as pessoas é gradativamente mais recorrente. Com isso, há a imposição de padrões estéticos que são seguidos por uma parcela da população e que, no entanto, excluem aqueles que não se encaixam neles. Dessa forma, estar inserido na internet pode implicar na comparação com terceiros e no menosprezo próprio, trazendo problemas como baixa autoestima. Além disso, muitos cidadãos se sentem intimidados por não terem o corpo cobrado pela sociedade e passam a não se cuidarem, já que não acreditam que atingirão aquele padrão. Contudo, estudos apontam que atividades físicas são fundamentais para a saúde mental dos praticantes; assim, além de passar a aceitar melhor seu próprio corpo, as pessoas verão melhoras em seus quadros de baixa autoestima e ansiedade, por exemplo.
Em consequência dessa comparação excessiva, problemas como estresse, depressão e falta de cuidado próprio vêm aumentando drasticamente. De acordo com a revista Veja, 86% dos brasileiros têm algum transtorno mental - situação que se agravou na atual situação pandêmica. Visto que o cotidiano da população mudou drasticamente nesse período, relatos de problemas como crises de ansiedade são constantes em redes sociais. Esse fato, juntamente com a ideia de que se deve ser produtivo durante todo o período de isolamento, contribuíram para que as pessoas se cobrem além do necessário e do suportado, ocasionando crises mentais. Desse modo, os cidadãos tendem a exigir excessivamente de si, esquecendo-se de tomarem os devidos cuidados com sua saúde mental, praticar exercícios físicos e outras atividades recomendadas por especialistas para a manutenção do bem-estar.
Em suma, atitudes para a mudança desse quadro se fazem necessárias e, para isso, as escolas devem oferecer palestras com profissionais da psicologia, mediante a realização de lives, visando dispersar o conhecimento sobre o assunto. Dessa maneira, os alunos - e, consequentemente, seus familiares - estarão melhor conscientizados quanto aos problemas mentais pois terão tido mais informações. Ainda, a sociedade deve desconstruir a ideia de que estereótipos definem os cidadãos e que devem continuar existindo.