Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a transição da Modernidade Sólida para Líquida flexibiliza muitos aspectos da sociedade: as instituições e as relações. Embora esse enfraquecimento seja benéfico por possibilitar a diversidade de identidades, ele altera a estrutura atual. Essas modificações, que geram um período de incertezas, afetam o modo com que as pessoas reagem com si mesmas, tal como desestabiliza o seu psicológico. Assim, nota-se a importância da saúde mental e da cultura do autocuidado e os produtos dessa realidade.
A prior, a falta de empatia por si mesmo e o excesso da autocobrança são algumas das causas do desequilíbrio emocional de grande parte da população. Isso pode acontecer devido as pressões colocadas pela sociedade, questões acadêmicas, dificuldades amorosas ou, também, pelos padrões impostos; fazendo com que as pessoas esqueçam de cuidar de si. Tem-se como exemplo a série This is us, que narra a história da família Pearson e os problemas psicológicos dos trigêmeos Kate, Kevin e Randall. A insegurança - somada ao medo de não atingir as expectativas colocadas sobre eles - e a dificuldade em pedir ajuda refletem a ausência do cuidado dos personagens, tanto físico como psicológico. Logo, proteger o corpo e a mente dos “bombardeios” de um sociedade líquida é o primeiro passo à cultura do autocuidado.
Consequentemente, a falta de consciência dos próprios limites facilita o desenvolvimento de transtornos como ansiedade e depressão. Durante a pandemia da COVID-19, por exemplo, os cidadãos precisaram se adequar a uma nova realidade: ficar em casa. Essa adaptação, inconscientemente, aumenta o tempo de uso das redes sociais - que acentua as comparações e o sentimento de inferioridade - e a exigência pela produtividade, causando fortes danos psicológicos. Em um tempo em que as informações circulam cada vez mais rápidas, é preciso cuidar do interior e distinguir o dever do lazer, principalmente quando não é possível sair de casa.
Em suma, é importante a disseminação da cultura do autocuidado a fim de melhorar a saúde mental da sociedade. Dessa maneira, o governo, na condição de garantidor dos direitos a saúde, deve fornecer atendimento psicológico, por meio de consultas gratuitas, visando melhorar a qualidade de vida dos cidadãos. Além disso, é indispensável que os responsáveis de cada município incentivem a prática de atividades físicas em praças - e, durante o isolamento, em casa. Também, é necessário que as pessoas entendam a relevância do cuidado mental; assim, a Modernidade atual proposta por Bauman não atingirá o psicológico da sociedade.