Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 12/08/2020
Os indivíduos do século XXI testemunharam a expansão da “idade do fitness” com a ajuda das redes sociais. Nesta época, a saúde física recebeu grande atenção, enquanto a saúde mental raramente foi discutida. No entanto, dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem que, principalmente no Brasil, as discussões sobre saúde mental deveriam ser mais recorrentes e levadas mais a sério, pois o país ocupa o primeiro lugar em ansiedade no mundo e ocupa posição semelhante no ranking de depressão.
De primeiro momento, é importante e válido mencionar que desde a década de 1960, quando a computação deu um passo grande para a invenção da internet, as doenças mentais se espalharam pelo mundo. No entanto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), desde 2000, os casos de depressão aumentaram na mesma proporção que o surgimento das redes sociais. Não há dúvida de que a depressão do século XXI está relacionada ao uso das mesmas, já que apenas os momentos felizes e as conquistas pessoais são expostos, enquanto os usuários que se comparam à realidade utópica compartilhada na Internet, se sentem um fracasso e deprimidos. Na luta de quem consegue mais curtidas, comparações e outros fatores podem dar a impressão de frustração a quem não enxerga sua vida como aquela exposta na Internet.
Além disso, é necessário analisar outro caso recorrente que atrapalha a saúde mental da população: o transtorno de ansiedade. O sentimento de comparação mencionado acima, tornou-se competição, que é justamente a força dominante no sistema brasileiro, seja no ensino dos jovens, nas modalidades de planejamento do ensino superior ou no atual mercado de trabalho. Tornou-se um fator cultural: pais, escolas e exames de admissão exigindo que os brasileiros experimentem a melhor pressão desde jovens. Depois, ainda tem de enfrentar um mercado de trabalho hostil, caracterizado pelos concursos abertos e pela expectativa constante de todos os amigos e familiares que o rodeiam. Impulsionados pelos critérios de sucesso considerados pela sociedade, toda essa pressão que envolve os indivíduos, sem dúvida, causarão ansiedade nas pessoas.
Portanto, percebe-se a necessidade de se atentar para a saúde mental do brasileiro no século XXI. Além de investir em programas de apoio como a consulta médica e psicólogos gratuitos custeados pelo SUS, o Ministério da Saúde também deve propor soluções eficazes para educar a população, como planos de apoio em escolas que visam o autocontrole emocional, para que, ao se tornarem adultos, possam mudar o sistema competitivo em que participam, levando muitos a doenças que infelizmente, em alguns casos levam até mesmo a morte.