Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/08/2020
Durante a Segunda Guerra Mundial, o Holocausto atingiu também indivíduos com doenças mentais, visto que eram considerados “inúteis” e uma ameaça à sociedade. De forma análoga, no Brasil atual, as pessoas com tais distúrbios ainda sofrem um preconceito intenso, que cresce à medida que o número de casos aumenta. Diante disso, nota-se que é extremamente necessário discutir e tomar medidas acerca da saúde mental no país.
Em primeiro plano, segundo o site de notícias G1, 20% dos brasileiros tendem a sofrer de algum transtorno mental algum dia de sua vida. Dessa maneira, é notório o crescente aumento do número de casos dessas doenças, o que ocorre principalmente devido às mudanças do estilo de vida da sociedade contemporânea. Tal fator é fundamentado no livro “Modernidade líquida”, do sociólogo “Zymunt Bauman”, que afirma que na pós-modernidade, nas relações sociais, os indivíduos experienciam mais liberdade, mudanças e imprevisibilidade, o que os leva a se sentirem mais pressionados. Em consonância a isso, o estilo de vida mais corrido, à custa da maior competitividade no mercado de trabalho, é outro fator que influencia no crescimento dos casos de doenças psicológicas.
Além disso, a discriminação padecida pelos deficientes mentais representa outra significativa problemática, visto que ela pode agravar a doença. Isso acontece uma vez que o indivíduo não busca ajuda médica por receio de julgamentos, não obtendo, assim, o seu diagnóstico e, consequentemente, não se tratando. Logo, o caso se agrava, o que pode levar a problemas mais sérios como o suicídio que é constante no Brasil. Convém ressaltar que, segundo a Organização Mundial da Saúde, o suicídio é a segunda principal causa de morte entre brasileiros de 14 a 29 anos, refletindo a precariedade do sistema de saúde mental no país.
Dado o exposto, depreende-se que é extremamente necessário concentrar esforços em prol de uma melhor saúde mental dos brasileiros. Sendo assim, cabe ao governo oferecer um atendimento psiquiátrico gratuito e de melhor qualidade por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), além de oferecer incentivos fiscais às empresas que ofereçam assistência psicológica aos funcionários, buscando, assim, aprimorar o tratamento dos doentes mentais e democratizar o seu acesso. Somado a isso, as escolas devem oferecer apoio psicossocial através de atendimentos psicológicos gratuitos aos alunos. Posto isso, será possível formar uma sociedade mais saudável psicologicamente e muito mais próspera.