Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 13/08/2020
A Revolução Técnico-Científico-Informacional, ocorrida na metade do século XX, introduziu na sociedade diversas tecnologias como, os computadores e a internet, que estenderam as atividades laborais para as residências dos trabalhadores. Nesse contexto, percebe-se que essas pessoas possuem um tempo reduzido para cuidarem da saúde mental. Nesse âmbito, pode-se analisar que as dificuldades na realizações desses meios de atenção à saúde está relacionado ao excesso de produtividade e ao desconhecimento de algumas atitudes básicas de autocuidado.
Inicialmente, é importante ressaltar que o trabalho excessivo na modernidade tem causado prejuízos a integridade psicológica dos trabalhadores. A exemplo disso, a declaração do sociólogo sul coreano, Byung Chul-Han, em sua obra “Sociedade do Cansaço”, o qual afirma que a sociedade contemporânea é marcada pela alta produtividade e uma enorme cobrança do indivíduo de ter um bom desempenho em todas as áreas da vida, desde a familiar até a profissional. Dessa forma, nota-se que as pessoas estão inseridas em um capitalismo globalizante, em que prioriza a realização de multitarefas para alcançarem maiores lucros, o que causa mazelas à saúde, devido ao desenvolvimento de doenças mentais, como a depressão e a ansiedade. Consequentemente, há uma elevação dessas patologias na sociedade.
Ademais, é imperativo pontuar que existe no Brasil um desconhecimento de atitudes básicas sobre o autocuidado. Tendo como exemplo disso, os dados divulgados pela empresa Sanofi, no qual afirma que, aproximadamente, 53% do entrevistados acreditam ser insuficientes o nível de informação oferecida para o público leigo no país. Isso acontece porque há uma certa “glamurização” sobre os processos de autocuidado, em que produtores de conteúdos digitais vinculam-se essa prática ao acesso de centros de atenção a beleza que na , maioria das vezes, demandam um alto recurso financeiro. Desse modo, os indivíduos que configuram o grupo de baixa renda não tem conhecimento de atitudes básicas dessa atividade como, caminhar nas vias públicas e consumir alimentos saudáveis.
Portanto, é perceptível que as dificuldades acerca da saúde mental e a importância da cultura do autocuidado no país está relacionada ao excesso de trabalho e ao desconhecimento dessa prática pelos indivíduos. Sendo assim, cabe ao Conselho Federal de Psicologia em parceria com as empresas públicas ou privadas, promover o acesso a terapias comportamentais, por meio da disponibilização de profissionais adequados, como psicólogos, e a realização de palestras socioeducativas sobre o risco da produtividade, a fim de minimizar a ocorrência de doenças psicológicas na sociedade. Assim, poderão usufruir dos avanços propostos pela Revolução Técnico Científico Informacional.