Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 28/08/2020

Na obra “Psicologia de um vencido” de Augusto dos Anjos, o autor retrata o niilismo e o tédio em relação à vida presentes na contemporaneidade. Nesse contexto, o poema permite a discussão acerca de como a saúde mental tem se deteriorado nos dias hodiernos, principalmente pelo avanço tecnológi-co e a consequente degradação das relações humanas. Assim, é importante analisar o papel da cultura do autocuidado tanto como uma forma de preservar a saúde mental no contexto atual, quanto um meio de questionar as imposições sociais e a padronização vigentes no mundo globalizado.

Em primeiro lugar, é evidente a necessidade de discutir sobre a importância de preservar a saúde mental no contexto de pós-modernidade. Nessa perspectiva, torna-se imprescindível compreender como o avanço tecnológico promoveu um aumento na incidência de doenças mentais. Dessa forma, conforme as ideias desenvolvidas pelo filósofo Bauman no livro “Modernidade líquida”, a popularização das redes sociais foi responsável por enfraquecer as relações sociais, visto que o mundo virtual ganhou mais destaque do que o real. Por conseguinte, nota-se o aumento do estresse provocado pela sensa-ção de superficialidade nas interações humanas, o que pode desencadear uma alta de doenças modernas, como a depressão, ansiedade, esgotamento mental e a Síndrome de Burnout.

Outrossim, também torna-se relevante analisar a degradação da saúde mental com a imposição social presente a partir do processo de globalização. Nesse sentido, percebe-se que a expansão da globalização desencadeou um processo de padronização cultural. Em decorrência disso, muitos cos-tumes passaram a ser considerados como um modelo que deve ser seguido, principalmente a partir do uso de propagandas e anúncios, que expandiram o modo de vida consumista. Dessa maneira, ficou ainda mais fácil propagar um padrão de beleza - física e mental - na sociedade, o que também corrobo-ra com o alto índice de desgaste mental. A fim de elucidar essa questão, pode-se citar a música “No elevador com o filho de Deus” de Elisa Lucinda, já que a autora retrata como as imposições sociais afetam a saúde da população e promovem casos de ansiedade e depressão.

Portanto, é evidente que a cultura do autocuidado deve ser tratada como relevante e importante no processo de preservação mental. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde, em conjunto com a própria sociedade, combata a expansão dos transtornos mentais vigentes na sociedade niilista. Isso deve ser feito por meio da inclusão de profissionais da saúde, como psicólogos, em diferentes áreas sociais a fim de promover debates e o conhecimento acerca de como tratar as doenças mentais na modernidade, uma vez que o direito à saúde está previsto na Constituição de 1988.