Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 14/08/2020

O filme “Por Lugares Incríveis” retrata a vida de Theodore e Violet, que pensam na possibilidade do suicídio como fuga do sofrimento, motivados por transtornos mentais e de autoestima. Esse longa-metragem termina com um fim trágico, no qual Theodore não consegue lidar com os seus dilemas e acaba com a própria vida. Embora essa obra seja fictícia, evidencia as consequências na saúde mental ocasionadas pela falta de autocuidado, as quais são uma problema que afeta negativamente a vida de vários brasileiros. Dessa forma, destaca-se o impacto gerado pela correria do dia a dia, bem como pela falta de acesso da população aos cuidados necessários na corroboração desse impasse.

Deve-se pontuar, de início, que a falta de tempo faz muitas pessoas a deixarem o autocuidado e, consequentemente, a saúde mental em segundo plano. Segundo o filósofo Byung-Chul Han, o século XXI é marcado pela Sociedade do Cansaço, na qual o excesso de positividade e a afirmação de que tudo depende da força de vontade, cria a necessidade de indivíduos multitarefas e de alto desempenho, já que cabe ao trabalhador ser sempre produtivo, autentico e inovador. Desse modo, muitos deles acabam se dedicando incessantemente a esses projetos em detrimento da saúde, mas não conseguem alcançar esse ideal inatingível, se sentem fracassados e desenvolvem transtornos mentais, como a ansiedade e a depressão. Logo, essa exigência de produtividade contribui para perpetuação dessa problemática.

Vale ressaltar ainda que o autocuidado é, muitas vezes, infelizmente, um privilégio, já que o acompanhamento psicológico, por exemplo, exige um poder aquisitivo elevado e é inacessível a grande parte da população. Nesse ponto, cabe evidenciar que o poder governamental é falho, já que embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos defenda o direito à saúde como um direito fundamental de todo cidadão, o SUS só consegue fornecer terapia para pequena parcela dos brasileiros. Assim, fica claro que a falta de investimentos nesse setor prejudica a resolução desse problema.

Urge, portanto, que o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, promovam campanhas de conscientização, mediante a realização de palestras em ambientes escolares e empresariais, ministradas por psicólogos, com o objetivo de ensinar as pessoas a lidarem com a autocobrança e a importância do autocuidado para a saúde mental. Além disso cabe ao Governo Federal fornecer atendimento psicológico gratuito e de qualidade, por meio da contratação de mais profissionais especializados nessa área, para que a população tenha acesso a um tratamento digno e, assim, seja possível efetivar o cumprimento da Carta Magna e minimizar o número excessivo de pessoas que sofrem com distúrbios mentais.