Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 16/08/2020

Durante a Revolução Industrial do século XIX, o filósofo alemão Karl Marx definiu como alienação do trabalho o processo de “desumanização” do trabalhador, ou seja: seu esquecimento como pessoa. Não diferente disto, a desvalorização da cultura do autocuidado - cada vez mais comum na contemporaneidade, é reflexo deste menosprezo ao indivíduo como humano, condicionados pela busca de um desempenho máximo a todo instante. Dessa maneira, urge a necessidade de se buscar o equilíbrio entre saúde e trabalho, a fim de que se garanta ganhos individuais e coletivos.

Indubitavelmente, confirma-se que a modernidade trouxe por si só uma velocidade responsável pela modificação das relações sociais e econômicas da atualidade, as quais objetivam sempre o maior desempenho. Isto é evidenciado na obra “Sociedade do cansaço” do sociólogo Byong Chu Han, em que, buscando o máximo da produtividade a cada dia, o sujeito permanece constantemente cansado, diminuindo por sua vez, a produtividade. Desta forma, constrói-se um ciclo paradoxal cuja busca pelo maior rendimento ocasiona em sua diminuição. Reflexos imediatos deste processo são justamente a desvalorização de sua individualidade e do seu autocuidado, que caso se prolonguem, podem ocasionar problemas tais como a insônia, ou até envelhecimento precoce, segundo dados da OMS - Organização Mundial da Saúde - sobre o stress a longo prazo.

Nesse sentido, mostra-se extremamente importante a busca pelo equilíbrio entre corpo e mente, objetivo já almejado pelos os praticantes do Estoicismo, cuja filosofia consiste no abandono dos excessos, sejam dos prazeres, como do trabalho, levando-os desta forma à felicidade. Assim, o autorreconhecimento como indivíduo, não depende apenas da máxima dedicação à carreira, mas do equilíbrio desse com o ócio, cujo tempo pode ser aproveitado para práticas de exercícios físicos ou do próprio diálogo com o próximo, visto que, as relações sociais são de extrema importância para a saúde mental. Não obstante, uma sociedade equilibrada, evita a sobrecarga do sistema público de saúde devido ao menor desenvolvimento de doenças, além da melhora imediata da qualidade de vida de cada um.

Urge portanto, que o Ministério da Cultura, por meio de propagandas na mídia como redes sociais, rádios e televisores - passadas principalmente à noite para atingir a maior quantidade de pessoas - mostrem os benefícios do autocuidado, além de instruir a população sobre os cuidados básicos para uma vida saudável. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde em uma ação conjunta ao Ministério da Infraestrutura, realizarem a construção de postos de atendimento nos bairros mais afastados, para garantir o amplo acesso da população à informação das práticas de autocuidado.