Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 16/08/2020
Promulgada em 1998, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à saúde e ao bem-estar social. Entretanto, a celeridade da vida moderna e a exacerbada preocupação com a carreira e com as finanças prejudicam o exercício pleno dos bens jurídicos tutelados no texto constitucional. Diante dessa perspectiva, evidencia-se a necessidade de intervenção estatal, com vistas a prover à população condições dignas de vida e orientar acerca da importância harmônica do autocuidado no cotidiano.
Em princípio, sabe-se que a preocupação com a saúde física e mental é essencial para a manutenção da homeostase (equilíbrio interno) individual. Nesse contexto, devido ao destaque positivo do Brasil no panorama geopolítico global, acredita-se que, no país, a população é assistida de forma eficiente e os riscos à saúde mental não representam grande ameaça. Conquanto, a realidade difere da expectativa e o resultado dicotômico desse contraste reflete-se na elevada taxa de prevalência de comorbidades psiquiátricas na sociedade. Dessa feita, torna-se indispensável a reflexão estratégica acerca do tema, para que sejam traçadas linhas de ação com o objetivo de mitigar a problemática, a qual possui alto potencial de dano caso em caso de mau gerenciamento.
Em segundo plano, é imperioso salientar que o Estado tem o papel indelegável de zelar pela saúde da população. Isso posto, vale retomar a analogia proferida pelo artista italiano Leonardo da Vinci, que diz que o sol jamais enxergará a sombra, pois são incompatíveis. Nesse ensejo, pode-se comparar o brilho solar ao esforço governamental, financeiro e normativo, envidado no sentido de ampliar o suporte público de saúde mental nos estados e municípios, conforme estudo prévio de necessidade. Desse modo, a sombra, ou “status quo” (estado atual), perderá consistência e cederá espaço para que a luz irradie com maior intensidade.
Dessarte, depreende-se que o governo tem importante papel a cumprir no ajuste do cenário contemporâneo. Logo, cabe ao Legislativo a abertura de comissão permanente que atue de forma firme e contínua em prol da causa sanitária. Para isso, deverão ser conclamados médicos, educadores, economistas e demais cidadãos que detenham conhecimento útil e almejem representar o país em plenário, a fim de conferir pluralidade aos trabalhos. Ademais, é mister que a comissão articule uma ostensiva campanha de conscientização, em meios televisivo e virtual, acerca dos benefícios do autocuidado e da importância da ajuda médica profissional, quando se fizer necessário. Assim, consoante lema positivista nacional, o país superará a crise e rumará à ordem e ao progresso.