Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/08/2020

No filme “O vendedor de sonhos”, adaptação no sucesso literário de Augusto Cury, é emocionante e encantador ao tratar de temas como auto-estima, valorização do ser humano e aposta na capacidade de se superar. Nesse contexto, conforme se percebe no decorrer da trama, o personagem que apresenta-se como Mestre oferece a Júlio César; um psicólogo renomado, o sonho de recomeçar, após ter tido intenções de se autodestruir. Hodiernamente, da mesma forma, evidencia-se que a falta de ferramentas da gestão da emoção para gerir seus fantasmas psíquicos e promover sua capacidade neurótica do autoconhecer.

Em primeira análise, cabe destacar que, a sociedade como um todo, vem asfixiando o pensamento mais importante que é o pensamento anti-dialético, onde libertam o imaginário e a capacidade de dar respostas inteligentes nos momentos estressantes. Como disse o psiquiatra Augusto Cury, “Esse tipo de pensamento é muito importante, se não usarmos ele para desenvolver sonhos, para ser tolerante, generoso, brincar com a vida ser bem-humorado, ele vai ser usado inevitavelmente para construir cárceres mentais.” Assim, consequentemente, os seres humanos podem sofrer com antecipação, ruminar perdas, mágoas e frustrações, agir por impulsividade e assim por diante.

Além disso, a população está intoxicada com o sistema social que impõe padrões que eles definem ser corretos, prejudicando e abalando a saúde mental. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna presencia uma liquefação das relações sociais, que as torna superficiais e incentiva o imediatismo no amor e no consumo. Diante desse fato, a desumanização da sociedade por querer se autopromover passando por cima dos seres humanos que são únicos e irrepetíveis, traz vários descontroles emocionais, causando Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA) e múltiplos distúrbios psíquicos.

Infere-se, portanto, que a ansiedade e depressão se tornaram mais comum nestas últimas décadas. Para que isso mude, o Estado, por meio do Governo Federal, deve primeiramente incrementar nas redes públicas e privadas o AGE “Academia de Gestão da emoção”, já que todos merecem o direito de se tornarem autores da própria história. Ademais, devem financiar um programa de assistência para toda a polução dessa nova geração que ensine como se autoconhecer e conhecer ferramentas importantíssimas para uma melhor saúde emocional, já que não adianta morar em um castelo, sendo um miserável.