Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado

Enviada em 17/08/2020

Na obra “A metamorfose”, Franz Kafka relata a vida de um caixeiro viajante, Gregor, que ao acordar, encontra-se no estado de metamorfose em um gigantesco inseto e, a partir desse momento, passa a ser rejeitado por todos, inclusive por sua família, ocasionando, portanto, a destruição de sua saúde mental, visto que começa a se odiar por sua aparência. Paralelamente à atual situação do Brasil, a saúde mental da população é tratada de forma trivial, principalmente, em virtude do descaso estatal e pela falta de conhecimento da sociedade sobre a necessidade do autocuidado.

Indubitavelmente, evidencia-se que as doenças mentais são vistas como inferiores às físicas pelo Estado, uma vez que esse possui uma visão hierárquica e, por esse motivo, há tanta negligência para com elas. Dessa maneira, observa-se um atraso em relação à importância da saúde mental, pois o pensamento atual compara-se com a mentalidade da população dos primórdios da Grécia Antiga, na qual, segundo Hipócrates, os remédios do povo eram seus alimentos e os alimentos eram seus remédios, ou seja, ocorria a valorização de corpos deslumbrantes, desconsiderando a preocupação com o psicológico.

Diante disso, nota-se que diversas pessoas com problemas psicológicos, sobretudo depressão e ansiedade, necessitam de apoio tanto profissional, quanto da própria sociedade em que estão inseridas. Todavia, grande parte da população não tem consciência sobre essa necessidade e, muitas vezes, excluem a importância do autocuidado em relação à saúde mental. Nesse sentido, na letra da música “Índios”, do Legião Urbana: “Nos deram espelhos e vimos um mundo doente”, faz-se presente uma metáfora, na qual observa-se que, em detrimento dos hábitos de autocuidado, ocorre um déficit na qualidade da saúde mental, já que a maior parte da população não visualiza a necessidade de ajuda ao indivíduo acometido por essas doenças.

Tendo em vista os argumentos citados, é necessário que o Sistema Único de Saúde (SUS), juntamente do Ministério da Educação, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas e palestras educativas que visem discussões sobre a saúde mental em âmbito escolar e empresarial, afim de promover a maior disseminação de informações sobre o assunto e para que as doenças psicológicas recebam sua devida importância, objetivando a distinção da atual realidade da descrita em “A metamorfose”. Ademais, é necessário que o Estado cumpra o que está estabelecido no artigo 196 da Constituição Federal, o qual afirma que a saúde é direito de todos e que é seu dever garanti-la integralmente.