Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 18/08/2020
A série “13 reasons why” relata a história de Hannah, que tira sua própria vida ao não encontrar ajuda para lidar com seus problemas. Fato análogo é recorrente no país, visto que, segundo a OMS, 85% da população é vítima de ansiedade ou depressão. Logo, a lógica de produtividade e competitividade, aliadas à ausência de vínculos entre as pessoas, propicia um cenário de angústia e solidão suscetível a desilusões, o que evidencia a necessidade de garantia de saúde mental e promoção do autocuidado.
A princípio, é válido analisar a liquefação das relações sociais pela ótica de Zygmunt Bauman, o qual a aponta como uma das responsáveis pela ansiedade e aflição constante que assolam a população. Segundo ele, a desvinculação de elos entre membros da sociedade rompe com a relação de segurança existente entre eles, o que propicia a formação de um núcleo individualista e competitivo, uma vez que, segundo dados do G1, um terço dos jovens prefere se comunicar virtualmente do que estabelecer relações interpessoais. Diante disso, indivíduos frágeis quanto à saúde mental encontram barreiras para se relacionar e procurar auxílio, haja vista a estereotipação destes como inferiores e à margem da inclusão social.
Ademais, cabe ressaltar que o hiperestímulo incita a imposição de padrões e ranqueamentos, que causam sentimentos de impotência em quem não se sente capaz de acompanhar as mudanças. Tal premissa é defendida por Byung-Chul Han, que considera o excesso de positividade um retrocesso à sociedade, considerando-se que as exigências tornaram o mundo escravo de contínuas aprovações. Diante disso, é notório que quem não as alcança e não exerce autocuidado, torna-se vítima de doenças psicológicas.
É evidente, portanto, que devido à combinação antagônica entre excesso de estímulos e ausência de vínculos, a sociedade encontra-se desestabilizada emocionalmente. A fim de atenuar o problema, cabe ao Ministério da Saúde, a criação de espaços de atendimento psicológico em empresas e escolas, para que haja uma comunicação contínua com as pessoas que se sentem à margem da atenção social.