Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Sabe-se que a obra machadiana Quincas Borba discorre sobre o processo pelo qual o protagonista, por não dar devido valor aos cuidados com a saúde mental, acaba enlouquecendo. Esse fato, por mais que tenha sido retratado no campo literário, tem forte relação com a realidade, ao passo que grande parte dos indivíduos ignoram a relevância do autocuidado. A gênese dessa questão fundamenta-se não só pela sua elitização, mas também pela falta de conhecimento geral de como realizar esse cuidado pessoal.
Primeiramente, é de extrema relevância destacar que a desigualdade social tem certo protagonismo quando se trata sobre cuidado com a saúde mental, pois de maneira geral essa prática está associada as classes mais altas da sociedade. Dessa forma, deve-se difundir que o cuidado com a mente não está restrito a alguns, mas sim ao coletivo. Essa afirmação é reforçada em períodos de crise, especialmente econômica, em que o número de pessoas que apresentam quadros depressivos aumentam. A partir do momento em que não zela-se pelo cuidado com a mente, abre-se espaço para o avanço de alguns quadros clínicos, como a depressão. Por conta disso, o Brasil, com 5,8% dos habitantes em estado depressivo, representa a maior taxa do continente latino-americano, segundo a Organização Mundial da Saúde.
Além disso, outro fator que proporciona o desincentivo a cultura do autocuidado é a falta de profissionais, como psicólogos e psiquiatras, na rede pública de saúde. Aqueles que, corajosamente, buscam auxílio para enfrentarem suas dificuldades e colocarem um fim em sua angústia, encontram hospitais e centros de saúde despreparados tanto profissionalmente, quanto em oferecer os medicamentos necessários. Entretanto, há medidas que podem ser tomadas pelas pessoas sem que elas dependam necessariamente do Estado, a atividade física, por exemplo, pode ser um grande aliado, a medida que ao praticá-la o organismo libera endorfina, substância que provoca bem estar.
Portanto, conclui-se que o Governo Federal deve agir através do Ministério da Saúde promovendo um investimento maior nos hospitais, com o intuito de aumentar o número de profissionais que cuidam da saúde mental da população. Além disso, deve-se desenvolver campanhas, que serão difundidas pelos meios de comunicação, para incentivar a sociedade a praticar o autocuidado, conscientizando-a de que o cuidado com a mente não está restrito a uma classe social, mas sim que deve ser uma preocupação coletiva. Tais ações devem ser tomadas com o propósito de evitar que os indivíduos, por falta de cuidado, passem a traçar uma trajetória semelhante á de Quincas Borba.