Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
No ano de 1890 Vincent Van Gogh, um dos mais conceituados pintores que já existiu, viria a tirar sua própria vida ao disparar uma arma em seu peito, na época, o artista fora diagnosticado com uma doença mental denominada psicose maníaco-depressiva, atualmente conhecida como transtorno bipolar, o que muitos dizem ser o que o levou a seu suicídio. Hodiernamente, mais de 100 anos depois, pode-se notar um aumento expressivo nas problemáticas relacionadas a saúde mental na sociedade, isto se dá, principalmente, pela quantidade de indivíduos que negligenciam a busca por ajuda profissional e optam por não procurar tratamento, consequentemente, pode-se notar o agravamento de tais enfermidades e as consequências que consigo trazem. Nesse sentido, convém analisar a causalidade de tal impasse.
É inegável que, devido a tabus inseridos em nossa sociedade, há resistência das pessoas à terapia, uma vez que, de acordo com uma pesquisa do instituto Market Analysis apenas 2% dos Brasileiros consultam-se com psicoterapeutas, um número ínfimo comparado aos, segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 86% que possuem algum tipo de transtorno mental. Uma das razões para que isto aconteça é, para o psicólogo Leonardo Della Pasqua, a imagem inserida no inconsciente coletivo da população de que ir ao psicólogo seria ‘‘coisa de doente’’ fazendo com que o autocuidado se torne uma espécie de tabu e impedindo pessoas de se cuidarem.
Devido a falta de cuidado com si próprios e a não busca por tratamento, estes indivíduos acabam por terem seus transtornos agravados, podendo sofrer graves consequências como, em extremo caso, o suicídio, uma prova disso, é um levantamento feito pelo jornal Estado de São Paulo, que afirma que a taxa de suicídios por conta de problemas psicológicos aumentou mais de 705% nos últimos 16 anos. Esta pesquisa apenas escancara o quão calamitosa é a epidemia de transtornos mentais que nossa civilização contempla e a necessidade de quebrar o tabu vinculado a busca por tratamento psicoterapêutico, confirmando a máxima de Mahatma Ghandi: “temos que nos tornar a mudança que desejamos ver no mundo’’.
É evidente, portanto, que medidas são necessárias para a solução do revés apresentado. Destarte, o Governo Federal deve, por meio do ministério da saúde, criar campanhas que incentivem a busca por tratamento psicológico, além de ministrar palestras em escolas para instruir os mais jovens acerca da importância do autocuidado e da prevenção a doenças psíquicas, para que assim, mudando o pensamento coletivo desde a base, uma mudança possa ser observada a longo prazo em nossa sociedade e não tenhamos mais casos como o do renomado artista Vincent Van Gogh.