Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Na série americana “Insatiable”, a jovem Patty Bladell, após adentrar no universo dos concursos de beleza, via-se obrigada a ter um corpo cada vez mais magro e a manter um sorriso no rosto mesmo quando não estava feliz. Nesse contexto, conforme vencia os concursos, sua ansiedade e tristeza convertiam-se em transtornos alimentares e psíquicos que, embora não se expressassem fisicamente, destruíam seu psicológico. Hodiernamente, da mesma forma, a saúde mental e a importância do autocuidado da população adulta e jovem, devido à necessidade de inclusão a uma sociedade de falsas aparências e à prevalência do cuidado físico sobre o psicológico, vem apresentando cada vez mais, um abalo em sua mente.
Em primeira instância, é necessário mencionar que os indivíduos pertencentes à sociedade atual, aprendem, desde a infância, que podem e devem ser impecáveis em toda atividade realizada, o que é absorvido por eles e interiorizado, até que passem a se autocobrar de mesma maneira. Dessa forma, segundo o filosofo Byung-Chul Han, o indivíduo se explora e acredita que isso é realização, ou seja, por não haver uma estrutura emocional já firmada, a pessoa passa a tentar encontrar felicidade em objetivos, e quando não alcança, não sabe lidar com a frustração, o que corrobora diretamente com a problemática.
É imprescindível pontuar, também, que as consequências dos transtornos relacionados à saúde mental são, principalmente, a ansiedade e o aumento nos casos de mortes por suicídio. Isso ocorre devido à falta de acompanhamento mental e psicológico, bem como a inconsciência de que o suicídio tem se tornado um grave problema de saúde pública. Referências disso podem ser encontradas no “site” da Organização Pan-Americana de Saúde que divulgou que o tabu e o estigma fazem com que os necessitados não procurem ajuda e não recebam o auxílio que precisam.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que os cuidados com a saúde mental sejam mais corriqueiros e melhor abordados na sociedade. Para que os distúrbios psicológicos possam ser identificados e tratados de maneira adequada, urge que o Governo Federal, em parceria com o Ministério da Saúde, financie um programa de assistência em escolas públicas que conte com profissionais da área da psicologia e psiquiatria, a fim de proporcionar, por meio de consultas, exames e sessões de terapia gratuitos, um tratamento de qualidade e ambiente propício a pessoas psicologicamente enfermas. Somente assim, será possível que adolescentes, desde cedo, aprendam a importância do bem-estar mental em suas vidas e, diferentemente de Patty Bladell, busquem um equilíbrio entre saúde física e psicológica.