Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 17/08/2020
Segundo o pedagogo Paulo Freire, o sistema educacional brasileiro se baseia em uma “educação bancária”, em que o ensino serve como mero treinamento para a formação de uma massa de trabalho. Diante desse cenário, entende-se o cidadão brasileiro em seu ciclo estudantil é apresentado apenas para conhecimentos técnicos, não estando realmente preparado para enfrentar dificuldades emocionais ao longo da vida. Assim, a ausência do ensino nas escolas voltado para o bem estar da mente, e a falta de conhecimento da população sobre a importância de se autocuidar são pontos que podem explicar os crescentes números das doenças relacionadas à saúde mental.
Em primeiro lugar, é incontestável que a ineficiência do ambiente pedagógico brasileiro seja uma das causas de grande parte da população enfrentar distúrbios mentais na vida adulta. Segundo o filósofo Emile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um corpo biológico por ser composto por partes que necessitam de funcionamento mútuo. Entretanto, quando o governo demonstra incapacidade em preparar os jovens para terem o hábito do autocuidado, o organismo não se comporta de maneira coesa. Assim, quando submetidos a cenários de desgaste ao longo da vida, não terão equilíbrio emocional para lidar com a situação, podendo ocasionar em doenças como ansiedade, depressão e chegar ao “burnout”, resultando em aposentadorias por invalidez, profissionais doentes e um país defasagem econômica.
Outrossim, é importante destacar que o desconhecimento da população em relação à importância de preservar a saúde mental corrobora para o perpetuamento do problema. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estar efetivamente saudável não significa a ausência de doenças, e sim, estar fisicamente e emocionalmente bem. Apesar de o maior órgão de saúde defender a importância do bem estar mental para a qualidade de vida, ainda hoje a sociedade não demonstra entender claramente essas ideias ao negligenciar a ida frequente ao psicólogo, tratar distúrbios mentais como tabus ou justifica-los como “falta de Deus”. Assim, o problema não é debatido e se mantém no meio social atual.
Portanto, fica evidente a necessidade de incentivar o ensino sobre autocuidado e ao debate sobre a importância de se buscar o equilíbrio emocional. Logo, urge que o Ministério da Educação, por meio de parcerias com o Ministério da Saúde, inclua na grade curricular do ensino básico aulas com psicólogos sobre bem estar mental e meios para buscá-lo. Somente assim, a população brasileira entenderá a necessidade de estar saudável com corpo e mente e encerre o ciclo estudantil efetivamente preparado para os obstáculos ao longo da vida.