Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 20/08/2020
Segundo o geógrafo Milton Santos o mundo do século XXI vive o meio técnico-científico-informacional. Dito isso, com a globalização e a velocidade de comunicação e dados, cresce também, no Brasil, a dificuldade de lidar com esse exagerado fluxo e, por conseguinte, aumenta o mal-estar psicológico de uma grande parcela da população. Dessa maneira, além do contexto piorar a saúde mental do indivíduo, negligencia-se, também, o autocuidado, devido a essa conjuntura conturbada.
Mormente, vale ressaltar a importância do estado psiquíco do indivíduo nessa situação. Com efeito, durante a pós-modernidade a quantidade de informações é muito maior do que a capacidade cognitiva humana e isso gera sentimentos de estresse e ansiedade. Ademais, a tentativa de acompanhar o ritmo dos dados causa, segundo o psiquiatra Augusto Cury, a SPA -síndrome do pensamento acelerado- que agrava todo esse quadro supracitado. Destarte, é evidente que nesse novo contexto, é necessário uma maior atenção á saúde psicológica do indivíduo moderno.
Além disso, cabe salientar a carência de uma cultura de autocuidado. De fato, com o aumento da tecnologia discute-se cada vez mais a preocupação com a saúde da população, contudo, essa discussão nem sempre é efetiva. Ainda que exista a tentativa de conscientização do brasileiro a cultura que persiste continua a mesma na qual apenas procura-se ajuda depois de existir um problema e nunca para prevenir esse. Dessa forma, procurar um terapeuta, fazer ‘‘check ups’’ de rotina e exercícios físicos ainda são atitudes coadjuvantes na vida de muitas pessoas.
Assim sendo, é necessário uma tentativa de evitar as possíveis consequências negativas do advento do meio técnico-científico-informacional. Inicialmente, o Ministério da Saúde deve melhorar o atendimento á saúde mental dos brasileiros por meio de investimentos que aumentem as unidades -físicas e virtuais- de apoio como o CAPS -centro de atenção psicossocial. Essa ação seria realizada com o fito de aumentar a democratização do acesso á uma melhor saúde psicológica do país.