Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 03/09/2020
Durante a Inquisição, distúrbios mentais e problemas psicológicos eram considerados atos de bruxaria, e o tema “saúde mental” era um grande tabu. Porém, diferente do século XII onde o autocuidado não acontecia, atualmente temos diversos meios para a melhoria da saúde mental, e mesmo assim ainda é visto como “falta de atenção” por parte da sociedade. Tendo em mente a gravidade da situação, surge a necessidade de proporcionar condições de vida melhores para aqueles que lutam contra problemas mentais e orientar à população sobre a importância do autocuidado.
Ao longo dos últimos anos, a depressão tem mostrado-se um dos transtornos mentais mais recorrentes, inclusive tendo sido considerada o mal do século XXI. A OMS estima que a doença acomete cerca de 322 milhões de pessoas em todo o globo e 75% dos diagnosticados com a doença não recebem tratamento adequado, devido a uma série de problemas sociais presentes na vida da pessoa. A minimização desses problemas tão complexos resulta na falta de debates sobre o tema, assim, pessoas que vivem nessas situações são acometidas pelo medo de buscar tratamento e permitir que venha ao conhecimento familiar.
Além disso, é importante ressaltar que, apesar de não serem novidades, os transtornos psíquicos somente começaram a ser estudados com afinco a partir do início do século XX, com o surgimento da psicanálise de Sigmund Freud. Como consequência disso, aquelem que sofrem desse mal se sentem constrangidos ao revelar que têm problemas dessa natureza. Assim, para que essas doenças sejam mais bem entendidas e tratadas, é necessária a mudança da concepção no que tange as enfermidades psicológicas no Brasil como um todo.
Diante dos fatos, torna-se óbvia a necessidade de discussão do assunto. Para tanto, caberá ao Ministério da Saúde promover campanhas voltadas ao esclarecimento e à orientação da população sobre o diagnóstico, a terapêutica e o prognóstico das doenças mentais. Para isso, médicos e psicólogos das unidades de saúde deverão realizar palestras abertas à participação popular sobre o universo da saúde e da doença mental, com o objetivo de acolher e sanar dúvidas sobre o tema, contribuindo para a mitigação do estigma que tanto tortura o portador de transtorno psiquiátrico. Dessa forma, serão promovidas maior conscientização e prevenção nos casos de saúde mental no século XXI, assim como ocorre diante dos problemas referentes à saúde física do cidadão.