Saúde mental e a importância da cultura do autocuidado
Enviada em 21/08/2020
O Brasil é o país com mais casos de transtorno de ansiedade do mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, logo, é inegável que a falta de saúde mental dos brasileiros ainda é um problema a ser vencido. Tal fenômeno ocorre devido ao advento da tecnologia, que fez a população adotar um ritmo de vida acelerado, uma vez que é diariamente bombardeada com milhares de informações, ao mesmo tempo, à comparação existente em redes sociais, que nos faz acreditar estar sempre em uma competição de quem é mais bem sucedido.
A priori, a partir de 1945, com a Terceira Revolução Industrial, a tecnologia ganhou destaque em escala mundial e, por conseguinte, facilitou o acesso rápido a informações, o que afetou negativamente a forma que atividades cotidianas são realizadas, uma vez que existe uma pressão pessoal para acompanhar esta aceleração. A exemplo, a série norte-americana “This is Us” narra a história de Randall, que sofre de transtornos de ansiedade por não conseguir realizar tarefas básicas em um curto período estipulado por ele.
Ademais, a normalização da competição existente em redes sociais agrava o problema. Aliás, tal cenário foi retratado na série “Black mirror” em um episódio no qual as pessoas recebem pontos com base em suas interações e atividades. Dessa forma, os bem pontuados recebem posições de prestígio, já os com menores pontuações, ao revés, são ignorados e sofrem preconceito por parte dos demais. Além disso, os estudos da universitária Hanna Krasnova, estudante da Humboldt University de Berlim, afirmam que a busca constante em transmitir uma imagem de perfeição em todos os momentos pode frustrar os usuários, até levar à depressão. Decerto, essa constante comparação é nociva para a população, pois reforça a ideia de que é necessário ter a inexistente vida perfeita para ser considerado bem sucedido.
Portanto, medidas são necessárias para que os acontecimentos relatados nas séries não sejam mais um cenário real. Assim, caberá ao Ministério da Saúde e toda a sociedade civil encarar a saúde mental populacional como questão de saúde pública e promover campanhas de combate aos transtornos psicológicos, tais como o Setembro Amarelo, por intermédio de redes sociais e meios televisivos, em busca de incentivar a população a buscar ajuda a qualquer sinal de instabilidade em sua saúde mental. Em adição, o Ministério deve investir em projetos como o Centro de valorização da vida, com o intuito de acessibilizar o tratamento psicológico. Somente desta maneira, o Brasil alcançará um futuro mais saudável do ponto de vista psicológico.